sábado, 18 de março de 2017

Uma ovelha num museu

Edimburgo, 2016
Eu tinha acabado de entrar num dos salões do Museu Nacional da Escócia e à minha frente estava uma ovelha, igual a muitas outras que eu já tinha visto ao longo da minha vida. Lanzuda, com um ar pacato e destoando completamente de tudo o que a rodeia.

À sua volta estavam automóveis de formula 1, aviões, telemóveis e muitos outros objectos de tecnologia de ponta.
E no entanto ela tinha toda a legitimidade para estar ali.

Antes de se ler a placa que a acompanha, qualquer um, apanhado desprevenido, poderia especular sobre qual a razão da sua presença numa sala de museu, dedicada à tecnologia..
As fibras e os tecidos? O leite e os seus derivados? Novas técnicas de pastagem?
Não. Nada disso.
A razão da sua presença neste museu deve-se à sua origem. Outra ovelha.

Bom, dito assim pode parecer estranho, mas, de facto, é a sua origem que a torna única (bom, também não exactamente) e um produto hi-tec.
Os seus genes são exactamente iguais aos de outra ovelha mais velha.

Claro que estamos a falar da ovelha Dolly e de clonagem.

Curiosamente eu já sabia que ela estava por ali. No entanto, a sua presença ("empalhada") não deixou de me surpreender.

Olhando para ela não lhe conseguimos identificar nada de estranho ou extraordinário. É apenas mais uma ovelha. Mas, o facto de existir representa um passo importante na genética.

Passada a “surpresa” e a observação do inocente animal, segui a minha visita, passando ao objecto seguinte da exposição.
No entanto não deixei de constar que é este também um dos fascínios dos museus. Olharmos para objectos, aparentemente comuns, por vezes com um aspecto inocente e insignificante, e descobrimos que carregam uma história rica, complexa e surpreendente.


Informação adicional em:
Ovelha Dolly - Wikipedia
Clonagem da ovelha Dolly
The National Museum of Scotland

E, porque não, a inspiradora do nome, Dolly Parton


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