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segunda-feira, 26 de maio de 2014

GPS

Igreja Votiva, Viena - 2007
Não tenho nada contra o uso do GPS. Mas penso que, nas férias é um instrumento perfeitamente dispensável. Dos milhares de quilómetros que já percorremos de carro, fora de Portugal, nunca lhe senti a necessidade.
Munidos de um ou mais mapas de estrada da Michelin e das descrições de "como chegar", fornecidas nos sites dos hotéis, quando é o caso, chegamos sempre aos nossos destinos, calmamente e a tempo.
E quando tal não acontece, é uma aventura que fica na memória, como a da primeira vez que visitámos Viena.

Chegámos a Viena já ao final de tarde, com tempo chuvoso.
De acordo com as indicações que tínhamos para chegar ao hotel, estávamos, aparentemente, no bom caminho. No entanto, a partir de determinado ponto, as indicações deixaram de fazer sentido e deixamos de encontrar as ruas esperadas. Em resumo, estávamos perdidos.
Não perdendo a calma, assim que pudemos encostamos o carro e parámos. Consultámos o mapa da cidade existente no guia que levávamos e identificámos o nosso destino, assim como o lugar em que nos encontrávamos. Com esses dois pontos estabeleceu-se o melhor percurso para chegar a bom porto. Parecia simples.

Da análise que fizemos verificámos que estávamos na ponta oposta da cidade àquela que queríamos chegar. Não tínhamos entrado pelo lado da cidade que pensávamos e, por isso, as indicações tinham-nos levado para o outro lado. Impunha-se portanto, voltar  para trás.
E foi aí que as coisas se começaram a complicar.

Grande parte das ruas eram de sentido único ou com proibição de virar à esquerda, impedindo uma rápida inversão de marcha. Como recurso fomos fazendo um largo circulo, de forma a ficarmos "virados" para a direcção correcta. Neste percurso constatamos que quase todas as ruas que seguíamos tinham uma placa azul apontando para a direcção em que seguíamos, com a indicação de "einbahn". Tentámos perceber o que era mas no mapa não havia nada com o mesmo nome. Paciência, deixámos de lhe ligar.

Devagar, rua a rua, lá conseguimos voltar para trás, na direcção do nosso hotel.
Ao longo desse percurso passámos por boa parte dos monumentos e lugares de referência de Viena, mas a única pessoa que foi aproveitando da vista foi a Joana. Nós só tínhamos olhos para o mapa e para a sinalização das ruas.
Finalmente a Manela anuncia: "Chegámos. É na próxima à direita". Só que a rua era de sentido proibido, obrigando-nos a seguir em frente. Substituindo-nos ao GPS entramos no modo de "recalcular o percurso".

Após muitos sentidos proibidos, sentidos únicos e várias mudanças de direcção à direita, entramos finalmente na outra ponta da rua pretendida. "Agora é só seguir em frente", pensámos.
Mas não. A coisa não seria assim tão fácil. À medida que avançámos na rua apercebemo-nos de que, bem no meio da rua, estavam, levantados, sistemas de defesa anti-tanque (!). Era a embaixada Americana
A única saída possível obrigou-nos a virar à esquerda, afastando-nos novamente do nosso destino.

Desanimados mas não derrotados, assim que pudemos viramos novamente à direita, só que, de acordo com o mapa, estávamos quase a regressar ao ponto inicial do percurso, onde não pudemos voltar à direita por ser sentido proibido.
Estávamos a começar a desesperar quando avistámos, no passeio, um casal, a pé, que se dirigia na nossa direcção. Parámos, pedimos ajuda e indicaram-nos que deveríamos ter virado à direita num entroncamento alguns metros atrás.
O problema é que naquele ponto da rua os sentidos estavam divididos por um risco continuo, proibindo a inversão de marcha.

Perante a hipótese de ter de repetir, novamente, toda aquela volta decidimos esperar um pouco para aclarar ideias. Olhamos à volta. Não havia ninguém nem havia transito. Não dissemos nada um ao outro mas a decisão estava tomada: invertemos a marcha.
Esta pequena contravenção poupou-nos mais de meia hora de "voltinhas", permitindo-nos, finalmente,  chegar ao nosso destino e descansar.

Uma vez no hotel, esquecemos o carro. Toda a cidade foi percorrida a pé ou de transporte publico.

Ah, é verdade. No último dia constatamos que "einbahn" significava "sentido único".

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Turistas

Salzburg - Austria - 2007

O grande problema dos chamados "lugares turisticos" são os turistas.
Milhares de pessoas invadem esses lugares, fazendo desaparecer tudo o que de original e autêntico poderiam ter, a começar na própria população autóctone.

Nada mais desagradável do que caminhar por ruas estreitas, apinhadas de turistas, ou visitar um lugar sem termos de nos desviar de umas quantas pessoas e, em extremo, levar (e dar) uns quantos encontrões.
Claro está que, para os outros, eu também estou a mais naquele local. Mas, obviamente, esse não é o meu ponto de vista.

No topo da 'chatice' dos turistas estão as excursões, nomedamente de orientais (não, não é nenhuma questão xenófoba, é que são muitos de cada vez). Magotes de pessoas que perseguem uma bandeira ou um chapéu de chuva fechado ou um outro qualquer objecto diferenciador, a olhar de forma sincronizada para os mesmos locais. Ou então a tirar fotografias de forma a ficar em frente de um qualquer monumento ou local de interesse, fazendo um 'V' com os dedos.

Para agravar os factos, ao receber todos estes forasteiros, os lugares turisticos 'adaptam-se', nomeadamente se são pequenas cidades ou aldeias. A chegada de tantos novos habitantes temporários, são uma fonte imperdível de riqueza, o que obriga a alterações, quer no tipo de negócios (mais virados para os souvenirs ou para a alimentação), quer nas infraestruturas (parques de estacionamento, transportes ou alojamentos).
Então se o interesse turistico for grande, prosperam os estabelecimentos de conhecidas cadeias mundiais, equalizando a oferta de serviços independentemente do lugar onde estamos.

Na minha perspectiva, o habitat natural dos turistas são os parques de diversões ou até mesmo certo tipo de feira ou eventos. Fora disso são intrusos.

Toda esta minha abominação pelos turistas agrava-se quando olho para esta fotografia. O que se vê na imagem é a casa onde Mozart nasceu, em Salzburg, cidade pacata. Na janela aberta podemos ver um turista. Quando decidi fotografar o edifício, aguardei pelo momento em que ele se fosse embora, permitindo-me fotografar a fachada 'limpa'. 
E esperei. Esperei perto de dez minutos. No final dei-me por vencido. Tive de o trazer juntamente com o resto do prédio.


Informação adicional em:

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Salzburg - Austria

Salzburg -  2007 


Depois de uma noite de chuva, uma manhã primaveril, em pleno Agosto.

Abandonado o hotel que nos abrigou do mau tempo, estacionamos o carro junto à margem do rio Salzach. A chuva quase parara e o céu começava a aclarar.

A um passo de entrar na zona histórica da cidade de Mozart, o cenário não podia ser mais perfeito.
Na falta de uma máquina “decente” para registar o momento, o telemóvel cumpriu o seu dever, gravando de forma muito feliz o início de um dia memorável.

A meio da tarde, depois de uma visita mais rápida do que o desejado, continuámos viagem rumo a Viena, ficando a vontade de cá voltar.