Mostrar mensagens com a etiqueta Galiza. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Galiza. Mostrar todas as mensagens

domingo, 8 de março de 2015

A Tuna

Santiago de Compostela - 2011
Cheguei a primeira vez a Santiago de Compostela no inicio dos anos 80. Foi o inicio de uma quase 'peregrinação' anual obrigatória.

Nessa altura o nacionalismo galego estava em grande. Encontravam-se mais facilmente pessoas com afinidades a Portugal do que com simpatia por Madrid (julgo que já por aqui referi que, na época, chegaram-nos a fazer desconto só por sermos portugueses).
Nas ruas, os grupos de músicos tocavam maioritariamente modas galegas e, nas lojas, ouviam-se com frequência sonoridades celtas. E portuguesas.
Foi nesse período, aliás, que “descobri” grupos como os ‘Fuxam os Ventos’ ou os ‘Milhadoiro’, entre outros.
No entanto, dos grupos de rua, destacava-se a Tuna.

Abrindo um pequeno parêntesis e para quem não a conhece, pode-se dizer que a Tuna é um grupo de músicos, com vestes "renascentistas", supostamente composto por estudantes universitários (apesar de alguns parecem ser já mais do que veteranos). Fim do parêntesis.

Mas a Tuna não se destacava apenas pelas indumentárias. Destacava-se sobretudo pelas musicas que tocavam. Em época de nacionalismos o reportório "normal" era composto, basicamente, por canções populares ou popularizadas... castelhanas.

Esta diferença tornava-os populares entre os turistas (maioritariamente vindos de outras regiões de Espanha) mas menos bem vistos aos olhos dos galegos, sobretudo dos mais nacionalistas.
Eram considerados “reacionários” e (com alguma razão) “comerciais”.

No entanto, todas as noites lá estavam (os senhores da música como a Joana lhes chamava), na praça da Obradoiro e/ou junto aos correios, rodeados de turistas, cantando, dançando e bebendo animadamente, e animando as noites da cidade.

Com o passar dos anos a realidade galega foi-se alterando. Quem visitou a Santiago de então e a visita agora, terá de reconhecer que muita coisa se alterou.
Reconciliaram-se posições, fruto da autonomia politica e cultural, e a própria Tuna tornou-se mais galega.

As indumentárias são as mesmas (e não sei se alguns dos elementos também não serão ainda os mesmos) mas fizeram-se algumas “afinações”. Para além da pandeireta e da guitarra, a gaita de foles passou também a fazer parte do conjunto, e várias modas galegas foram acrescentadas ao reportório normal.

No entanto, no seu todo, continua igual a si própria, quer na exuberância, quer na cerveja.

E é assim que, quando regresso a Santiago e vou à noite à Praza do Obradoiro, espero encontrar a Tuna, debaixo das arcadas, frente à catedral, garantindo assim um animado serão.

Clavelitos, clavelitos,
Clavelitos de mi corazón...


Informação adicional em:

Tuna de Derecho Santiago
La Tuna de Santiago

fuxan os ventos
facebook - fuxan os ventos

Millhadoiro

domingo, 10 de março de 2013

Revisitar

Santiago de Compostela - 2011


Um dos dilemas que se coloca a quem gosta de viajar é o voltar ou não aos lugares por onde já se passou. Se por um lado a oportunidade de conhecer outros lugares é escassa (quer em tempo quer em dinheiro, sendo importante não disperdiçar oportunidades), por outro não se conhece verdadeiramente um lugar se não nos sentirmos lá como em casa. Para além disso, voltar a um lugar tem outra vantagem. Passado o fascinio da novidade começamos a ver os pormenores, o que realmente é esse lugar. Mais, assiste-se à evolução desse mesmo lugar (para melhor, para pior ou para diferente), o que é sempre uma experiência interessante.

Poucos são os lugares onde volto ou voltaria com prazer. Menos aqueles em que tive a oportunidade de o fazer. Santiago de Compostela está, em qualquer dos casos, no topo da lista.

Apesar de ter tido alguns anos de interregno nas minhas regulares visitas à cidade, a quantidade de vezes que já lá fiquei faz-me sempre sentir em casa quando aí regresso.

Da primeira vez, ao fim de dois dias já conhecia boa parte do “casco” velho da cidade. Ao fim de alguns anos aprendi a comer como os locais e a tirar partido das raciones. No entanto foram precisos mais uns anos para conhecer pessoas que, mesmo após uma ausência mais prolongada, nos fazem uma festa sempre que nos revêem.

A fotografia que publico é uma fotografia “clichet” da catedral, tirada do Parque da Alameda. Mas o que é que mais se pode fotografar ao fim de tantos anos de por aqui passar?
A primeira vez que fomos a Santiago de Compostela (ainda e gloriosamente no Fiat 600) foi, se a memória não me falha, em 1982. Partimos de Viana do Castelo, de manhã, num dia de muito calor. Chegámos ao fim da tarde a Santiago (após várias paragens para deixar arrefecer o carro e voltar a pôr água no radiador). Na altura ainda se podia estacionar frente à catedral, sem qualquer restrição.
A última vez (até à data) foi no ano passado. Chegámos a meio da tarde, vindos de Léon. Desta vez o carro teve que ficar num dos vários parques de estacionamento espalhados pela cidade.

Como referi, muitas das minhas férias passaram por Santiago, razão pela qual guardo muitas e boas recordações (mesmo quando chove, o que não é raro). Mas essa memória fica para outra ocasião. Apenas como curiosidade gostava de referir que foi também em Santiago que a minha filha, então com três anos, acampou pela primeira vez, rendendo-se (julgo eu) ao campismo e, claro, à cidade.