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sábado, 19 de março de 2016

A muralha debaixo da igreja

Muralha de D. Dinis, Lisboa - 2014
Ouvi falar pela primeira vez na muralha de D.Dinis no lugar em que menos o esperaria. Na página Web do Banco de Portugal.

Julgo que estava à procura do câmbio de uma qualquer moeda quando me chamou a atenção um link que destoava completamente dos restantes: A Muralha de D.Dinis (hoje substituído pelo link do museu do dinheiro).

A minha curiosidade levou-me a seguir por ele. Descobri que não estavam a enganar ninguém. Era, de facto, uma ligação para onde dizia. Mais concretamente para a informação referente à descoberta de parte da muralha de D.Dinis e à exposição existente em torno da mesma.

Sendo visitável, decidimos, num sábado de manhã, ir até lá ver o que era.

A muralha fica por baixo da Igreja de S. Julião, no largo do Município, em Lisboa. A igreja, dessacralizada à muitos anos, é pertença do Banco de Portugal, razão do link na sua página principal.

Para visitar a muralha temos de entrar pela igreja e descer a uma espécie de cripta, uma vez que a parte visível da muralha fica alguns metros abaixo do nível do chão.

A zona de visita resume-se, basicamente, a um corredor com talvez uns 25 metros de comprimento, parte dos quais ao longo de um pedaço da dita cuja muralha.

Dito assim, poder-se-ã pensar que a visita é algo de desinteressante e/ou rápido. Mas não. O guia que nos acompanhou "ocupou-nos" mais de meia hora com a descrição histórica do local, da muralha, da sua ligação ao dia-a-dia dos habitantes da zona e ao desenvolvimento da cidade, bem como à descrição de alguns dos objectos encontrados e ali expostos.

Para quem pensar que um "muro" é apenas um muro e não mais do que um muro, que se desengane.
Vá visitar a dita muralha e descubra que um "muro" pode não ser só um muro. Pode ser bem mais do que um muro.


Informação adicional em:

domingo, 1 de novembro de 2015

Uma ponte com sabores

Ponte de Ucanha, Portugal - 2012
As barreiras naturais foram sempre lugares limitadores. Montanhas ou rios marcaram fronteiras e ajudaram na defesa de povoações e territórios.
É por isso que os vales e as pontes foram sempre pontos importantes e criadores de riqueza. Quem quisesse ou necessitasse de ultrapassar esses obstáculos tinha de passar por ali.

Assim, a posse ou controlo de tais lugares era (e por vezes ainda é) um factor de poder.

Vem toda esta conversa a propósito da ponte fortificada de Ucanha, única no género em Portugal.
Aparentemente com origem numa antiga via romana, é, na forma actual, originária do séc. XII.
Pertenceu ao então couto do Mosteiro de Salzedas e marcava o limite desse mesmo couto. Servia para a sua defesa, bem como para o controlo e cobrança da passagem sobre o rio Varosa.

Com a evolução dos tempos e a proliferação das autoestradas e vias rápidas, depressa estas pequenas obras de arte foram sendo esquecidas e, em muitos casos, deixadas ao abandono e/ou à ruína.
Felizmente nem todas tiveram esse destino.

Com um cada vez maior apelo ao litoral e às praias, muita da riqueza do interior do nosso país vai ficando esquecido. 
Apesar de nos anos 80, termos corrido boa parte do norte e do seu interior, achámos por bem revisitar alguns dos lugares por onde já andáramos, mostrando muitas das ´pequenas pérolas' que conhecíamos ás gerações mais novas, que é como quem diz, à nossa filha.
E foi assim que, nas férias de 2012, chegámos a Ucanha e à sua inesquecível ponte.

Apesar de todo o aprumo do lugar e dos seus bons acessos, é nas pequenas coisas que se verifica a diferença entre o litoral e o interior.
Chegada a hora do almoço, não encontramos nas redondezas nenhum sítio para almoçar, que, de preferência, nos possibilitasse uma refeição rápida e despretensiosa, para podermos voltar à estrada e continuar as nossas "visitas".

Confrontados com o facto de não encontrarmos nada, no meio do silêncio rural de um principio de tarde quente de Agosto, rendemo-nos a ter de ir almoçar ao único restaurante a que tínhamos visto referência, num anuncio colocado na beira da estrada de acesso a Ucanha: a Tasquinha do Matias.

Não me perguntem porquê mas, de uma forma geral, sou avesso aos restaurantes ditos "típicos", algo que, também não sei porquê, associei a este.
Mas na falta de alternativas e com a hora já adiantada, tivemos de nos render ao destino.

Estacionámos o carro e seguimos as indicações que apontavam o caminho a percorrer até à referida tasquinha.
Agradavelmente, esta ficava junto à ponte, no lado oposto ao da torre, com uma pequena esplanada sobre o rio. Mas o calor não nos convidou a ficar na rua, pelo que entrámos.

Na sala, fresca e já meia vazia, com o aspecto de final de refeição, fomos recebidos cordialmente por uma senhora que nos confirmou ser ainda possível almoçar, apesar de alguns dos pratos já terem acabado.
De qualquer forma ainda havia escolha suficiente.

A chegada da comida foi uma agradável surpresa. Pratos despretenciosos feitos com mestria e ingredientes de um sabor divinal. E não, não era resultado da fome.
O mastigar das batatas, dos legumes ou da salada fez-me recuar à minha infância, relembrando-me sabores há muito esquecidos.
Eis como uma refeição que se pretendia rápida e sem história, se transformou num momento de degustação e reencontro de sabores, "arruinando" os planos previstos para a tarde. Até porque as sobremesas também pediam que se saboreassem.

Moral da história:
Por vezes, quando procuramos beber a cultura e o passado em pedras ancestrais, somos 'obrigados' a saborear muito dessa cultura numa tasquinha "plantada" junto ás mesmas, fazendo perdurar na memória sabores também eles quase perdidos pela modernidade.

Para que conste, quando voltar à Ucanha espero voltar à Tasca do Matias. E espero não sofrer nenhuma desilusão "modernista".


Uma última nota curiosa. Ao deambularmos pela pequena povoação de Ucanha apercebemo-nos que foi aqui que nasceu Leite de Vasconcelos, arqueólogo e etnólogo tão importante na nossa história recente.


Informação adicional em:
Ucanha
Ponte e Torre de Ucanha
Património Classificado

Leite de Vasconcelos

domingo, 10 de maio de 2015

O Rali de Portugal

Peninha, Serra de Sintra, Portugal - 1985
O meu primeiro contacto com o rali deu-se na minha juventude.
Lembro-me dos carros passarem por Torres a seguir ao jantar, num troço de ligação a Lisboa.
Podiam não estar em competição mas, para nós, era a mesma emoção. O ruído dos motores, os potentes projectores na frente dos carros e a multidão que se juntava na avenida e ao longo do trajecto para Lisboa, a vibrar com cada carro que passava.
Com um pouco de sorte um dos carros parava para se abastecer, numa das bombas de gasolina, permitindo uma visão mais demorada e próxima, nomeadamente do interior.
Havia ainda alguém com o jornal 'O Motor' na mão que, pelo número do carro, ia identificando quem passava, fazendo o computo dos que já tínhamos visto passar e dos que ainda faltava ver.

A este propósito lembro-me sempre de um episódio caricato.
Nesse ano a revista 'Tintin' publicava a aventura de Jean Graton “Rali em Portugal” (“Cinq filles dans la course”) que, por sinal, coincidiu com as datas do rali, na altura denominado de TAP.
Como de costume, após o jantar, fomos ver passar os carros e "controlar" as passagens. Como a saída de casa nem sempre era fácil (tinha que ser autorizada pelos pais) havia sempre um ou outro que se atrasava, pedindo, ao chegar, um ponto de situação das passagens para saber o que já tinha perdido.
Estávamos nós a aguardar a passagem de mais um carro quando chega um dos nossos amigos retardatários, esbaforido e quase sem folgo a perguntar avidamente "o Michel Vaillant já passou?". Perante as gargalhadas gerais, tomou consciência da pior foma de que o seu herói afinal não existia.

Porque o horário de passagem mudou ou porque o trajecto de ligação foi alterado, o que é um facto é que o meu interesse pelo rali passou para segundo plano e desvaneceu-se.

Retomei o contacto com o rali em 1978. A sobra de um lugar num carro de entusiastas fez-me participar na "romaria" a Montejunto onde pude ver um dos carros de rali mais bonitos: o Lancia Stratos HF.
Mas as estrelas nesse ano eram outras.
O Fiat 131 Abart de Markku Alén e o Ford Escort RS de Hannu Mikkola fizeram toda a emoção. Separados na classificação por segundos levaram até à noite de Sintra milhares de pessoas, entre elas eu.

A etapa consistia em três passagens por três troços cronometrados, pelo que, uma vez arranjado um lugar para ver, tínhamos espectáculo para toda a noite.
Nessa noite ficamos na Lagoa Azul (primeiro troço do 'circuito') com os olhos na estrada e o ouvido num transistor. E a emoção manteve-se até ao último troço da terceira passagem, justificando a noitada.

Na última passagem, junto ao ponto de partida assisti à razão do fim das noites de Sintra. Quando os carros estavam a segundos de partir, ligavam os projectores na sua máxima potência e apenas se via à sua frente uma enorme massa de pessoas, no lugar onde deveria estar a estrada. À mediada que o carro arrancava e acelerava as pessoas afastavam-se, abrindo-se, à velocidade do carro, uma clareira que permitia ao piloto vislumbrar alguns metros do alcatrão. Isto, claro, salpicado com dezenas de flashes.

Não voltei a assistir ao rali mas continuei a acompanhar as provas.

Nos anos 80, com a ascensão dos potentes carros do grupo B, a paixão pelos ralis de um colega de trabalho e o prazer da fotografia, fez-me voltar a Sintra.
Agora de dia, máquina fotográfica ao peito, aconselhou-me a prudência que fugisse da multidão e dos lugares mais "espectaculares", prudência essa que era partilhada pela Manela e pelo Paulo, companheiros na aventura.
Motivava-nos estar perto dos carros, sentir o ambiente e experimentar fotografar em condições extremas.

Foi assim durante alguns anos. No dia do rali, madrugávamos para ir ver os carros.
Até que, em 86, na aldeia do Pé da Serra, recebemos a noticia do acidente mortal que ocorrera no troço da Lagoa Azul e do consequente cancelamento da etapa.
Este trágico acidente marcou o fim da etapa de Sintra e, com ela, a nossa ida ao rali

Hoje, quando olho para as fotografias da altura, vêm-me à memória as caminhadas quase nocturnas pelo meio da serra, o ruído dos motores que cortavam aquele ambiente paradisíaco e calmo, e, claro, a espera pela revelação dos rolos fotográficos, "puxados" a sensibilidades limite. Os resultados fotográficos do dia tinham o gosto amargo das fotografias falhadas mas também doce sabor de uma foto bem conseguida.


Informação adicional em:

domingo, 15 de março de 2015

Realidades paralelas

Arco do Triunfo, Paris, França - 2004
Li algures que, num conflito entre duas partes, há sempre, pelo menos, três realidades: aquela que é contada por cada uma das partes e a que de facto aconteceu.

Este pensamento ocorreu-me a propósito das invasões francesas, acontecimento cujo bi-centenário do seu fim se celebrou no ano passado.

Para quem não está familiarizado com o tema eu passo a resumi-lo rapidamente (na minha versão livre, claro):

Napoleão Bonaparte, na sua ânsia de expandir o império e após várias conquistas, decidiu invadir a Grã-Bretanha. Como uma ilha tem o defeito de estar rodeada de água, o que dificulta a sua invasão, ordenou que todos os portos do continente se fechassem ao barcos britânicos.
Ora tendo em 1386 Portugal assinado o tratado de Windsor com a coroa britânica, o rei português decidiu não acatar as ordens do imperador francês. Este acto levou Napoleão a enviar um exército para que se cumprissem as suas ordens e se fechassem os portos portugueses.
Para "nos" defender, os britânicos enviaram também tropas para Portugal. Como se antevia que a vida por cá ia ficar um pouco complicada, as cortes portuguesas aproveitaram a ocasião para ir a banhos para o Brasil, tendo o nosso rei entregue as chaves do país a Sir Artur Wellesley.
Junot, Soult e Masséna comandaram os três corpos expedicionários enviados por Napoleão, sendo que, o último, esbarrou com as chamadas Linhas de Torres, construídas nos entretantos, dando por findas as invasões.

Já agora, e por mera curiosidade, refira-se que as Linhas de Torres consistiam num sistema defensivo em três frentes, sendo que as duas primeiras protegiam a península de  Lisboa enquanto que a última, junto a Cascais, garantia a retirada em segurança das tropas britânicas, o que não foi necessário.

Como se pode depreender, os perto de sete anos que duraram as guerras peninsulares contaram com muitas e sangrentas batalhas originando gloriosas e retumbantes vitórias.

E é neste ponto que regressamos ao meu comentário inicial.

Tendo vivido muitos anos à sombra das vitórias "portuguesas" (Buçaco, Roliça, Vimeiro, etc.) foi com particular espanto que, quando visitei o Arco do Triunfo, em Paris, não encontrei lá qualquer referência ás batalhas que conhecia.
Em contrapartida estavam lá identificadas localidades portuguesas onde deverão ter ocorrido batalhas de que nunca tinha sequer ouvido falar (e de que, presumo, os franceses deverão ter saído vencedores).

E é assim que descubro que, aquele monumento icónico da cidade de Paris, é, na realidadea um portal para uma realidade paralela àquela em que eu toda a vida vivi.


Informação adicional em:
A Guerra Peninsular - Uma perspectiva portuguesa
A Guerra Peninsular - Wikipedia

1807-1808 : Campagne du Portugal, En route vers l'Espagne
1810-1811 : La Campagne du Portugal
Invasions françaises du Portugal - Wikipedia

domingo, 9 de novembro de 2014

O caos da Ribeira

Mercado da Ribeira, Lisboa . 2014
Como vamos tendo cada vez menos horas disponíveis, os lugares com prateleiras cheias de produtos apelativamente embalados, disponíveis quase 24 horas por dia e onde não temos necessidade de falar com ninguém (excepto, talvez, para perguntar onde está um determinado produto), vão-nos seduzindo e ocupando o nosso quotidiano..
É assim que os mini, super e sobretudo hiperrmercados vão entrando no nosso dia-a-dia, matando e tomando o lugar dos simplesmente (e antigos) mercados de bairro.
Aos poucos, estes vão perdendo dimensão, ficando entregues apenas aos seus mais antigos e fiéis clientes. E há medida que os seus "velhos" clientes vão desaparecendo, os mercados vão sucumbindo com eles.

Do que me recordo da  minha última passagem pelo Mercado da Ribeira, é que o espaço estava um pouco degradado, mas que ia cumprindo o seu papel.
Tal como tantos outros mercados tradicionais, convenci-me que a Ribeira não iria ser uma excepção, tendo também ela como destino uma lenta e agonizante extinção. No entanto, uma noticia de jornal fez-me criar alguma expectativa contrária.
Após obras de conservação, parte do mercado foi transformado num espaço de restauração (para além, claro, do já famosos cacau).

E foi assim que, num dos sábados seguintes, decidimos ir lá almoçar.

Quem teve a ideia e operou a transformação do espaço (sinceramente desconheço o processo), fez, no geral e em minha opinião, um bom trabalho.
Manteve numa das naves do edifício a sua função original de mercado, enquanto que a outra foi transformada num espaço dedicado à restauração e ao lazer.

Do lado da restauração, as antigas lojas do mercado, que rodeiam toda a nave, foram concessionadas a restaurantes. A diversidade destes pequenos espaços permite uma variedade e amplitude de escolha de pratos, que vão desde o puramente vegetariano ao ostensivamente carnívoro.

No meio do pavilhão (barulhento, como compete a um mercado) foram colocadas umas mesas corridas, de madeira clara, onde nos podemos sentar, partilhando, de mdo informal, a refeição, com todos os outros clientes deste espaço.

Fosse por ser fim de semana, fosse por estar na "berra", o espaço estava cheio, o que nos obrigou a deambular algum tempo pelas mesas à procura de dois lugares frente a frente para nos sentarmos.

Quando finalmente me vi sentado, frente a um belíssimo hamburguer de salmão, olhei à volta para apreciar o lugar e pensar sobre ele.

O espaço, "vintage" QB, é agradável. A oferta de opções de refeição muito variada. Os clientes muito heterogéneos, havendo-os de todas as idades e nacionalidades. Enfim, tem tudo para ser uma aposta ganhadora.
No entanto, apesar de todos estes pontos positivos, porque é que fiquei sem grande vontade de voltar? A resposta é simples e lamento ter de a dar: os clientes eram maioritariamente portugueses.

Não que eu tenha algo contra essa nacionalidade, até porque eu sou um deles. O que me desagrada é o velho e enraizado (mau) hábito de reservar um lugar, horas a fio se necessário, para só depois, calmamente, ir procurar escolher o que comer.
De facto, ao olhar para o espaço das mesas, estas estavam cheias. Mas sobretudo de pessoas à espera e a reservar vários lugares nelas. Em volta, quase outros tantos, andavam a passear os tabuleiros na esperança de encontrar um lugar desocupado, tal como já me acontecera a mim.

E é esta procura, stressante, com a noção de que o almoço está a arrefecer, este pedir quase por favor para me poder sentar, que não me agrada no lugar.
Infelizmente enquanto me lembrar desta sensação, não vou ter grande vontade de lá voltar.

Espero, sinceramente, que o sucesso desta ideia não seja a sua perdição. 

domingo, 2 de novembro de 2014

Portugal não tem Mar

Praia de Santa Cruz, Portugal - 2008
Esta é uma daquelas situações que me lembro de ter ocorrido mas que, talvez pelo impacto que teve, não consigo situar muito bem nem no espaço nem no tempo.

Sei que estávamos nós algures no sul de França, junto ao Mediterrâneo, e que estávamos a falar com um habitante local.
A conversa foi derivando e falávamos sobre o mar, o calmo que ele era nas praias do Mediterrâneo e que a temperatura da água ser agradável.
A dada altura dissemos que em Portugal, tirando o sul, o mar era, de uma forma geral, mais violento e mais frio.
E foi aí que tudo aconteceu. O nosso interlucutor virou-se para nós com um ar entre o incrédulo e o espantado e disse: "Mas Portugal não tem mar"

Fiquei sem pinga de francês para ripostar.
Apanhado completamente de surpresa, apenas me saiu a pergunta "Não tem mar?" Tinham-me acabado de cair 800 Km de costa aos pés.
Ainda titubeante repeti "como não tem mar?"

Então tudo se esclareceu. "Claro que não tem mar. Portugal tem oceano. Mar temos nós, aqui, no Mediterrâneo".

De facto, cada um vê o mundo à luz da sua realidade.
De repente apercebi-me que, apesar de toda a minha vida ter frequentado anualmente a praia, apenas há algum tempo atrás tinha verdadeiramente visto O mar.

Ou então não.


Informação adicional em:
Mar, na Wikipédia
O Mediterrâneo na Wikipédia

domingo, 12 de outubro de 2014

Fragas de Panóias

Santuário de Panoias, Vila Real, Portugal - 1982
1982.
Nesse ano as férias só poderiam correr bem. Tínhamos uma boa tenda, tínhamos um carro (o Fiat 600 que se vê na fotografia, ao fundo, junto às casas) e eu tinha as minhas primeiras férias pagas (começara a trabalhar). Como tal, só nos restava seguir à aventura pelo país fora.

O Norte sempre fora, para mim, uma zona desconhecida. Trás-os-Montes então era um longínquo lugar, quase mítico. E como não tinham ainda começado a chegar os subsídios da CEE, viajar pelas estradas portuguesas era já por si uma aventura.

Foi com o espírito da descoberta que chegamos a Vila Real de Trás-os Montes.
Uma vez acampados no Parque Municipal (que a memória me diz ser um parque simpático), só nos restava mesmo explorar o que a região tinha para nos surpreender. E a verdade é que tinha.

Confesso que até essa data nunca tinha ouvido falar de Panóias, No entanto, ao fim de algumas voltas chegamos lá, ao "Santuário de Panóias". Um penedio junto a uma aldeia que, para nós, estava longe de tudo.

Para quem lá chega é uma visão estranha. No meio das fragas, abrem-se na rocha uns degraus que nos conduzem a uns buracos rectangulares, com o aspecto de sepulturas.
Depois apercebemo-nos da existência de regos, também eles escavados na pedra.
É um lugar sagrado, de sacrifício.

Ainda na rocha existem inscrições romanas, inscrições essas que, de alguma forma, nos situam o santuário no tempo. Algo que para mim me pareceu anacrónico.
Dos romanos temos a ideia das construções clássicas, de blocos de pedra e colunas. Ali não, tudo tem um aspecto mais "troglodítico".
Para além das pedras esculpidas e da calma que as rodeava, nada mais havia para ver. Mas chegava. Valeu bem a viagem,

Nunca mais lá voltei (nem a Vila Real) mas este lugar fez-me tomar consciência de que no nosso país existem lugares muito estranhos e curiosos. Razão pela qual nunca mais o esquecerei.


Informação adicional em:
Santuário de Panóias (Wikipédia)
Guia da Cidade (Panóias)
SIPA - Sistema de Informação para o Património Arquitectónico
DGCP
Museu de Vila Real

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Portugal pequenito

Portugal dos Pequenitos, Coimbra - anos 60
O titulo deste post poderia levar a pensar de que iria falar sobre a pequenez do país em que vivemos (em dimensão, entendamo-nos).Mas não. A razão destas linhas prende-se com aquele que foi (e em certa medida ainda é) o grande "parque temático" português: o Portugal dos Pequenitos.

Em miúdo lembro-me de lá ir pelo menos umas duas vezes. Curiosamente, para além do que ficou registado nas fotografias de então, pouco mais me ficou na memória. Honrosas excepções para o portão de entrada e uma aranha caranguejeira existente num dos pavilhões do "mundo português".

Voltei lá uns bons anos mais tarde, com a minha filha ainda pequena (ou será que deveria dizer pequenita?).
Na viagem para norte, para Santiago de Compostela, parar em Coimbra serviu para descansar e comer qualquer coisa. E, porque não, (re)visitar Portugal, em pequenito?

Constatei que já não me lembrava de muitas coisas, embora outras fossem rapidamente recordadas. No entanto a dimensão do parque encolheu drasticamente face às minhas recordações. Na minha infância o parque seria enorme e as construções, embora pequenas, suficientemente grandes. Agora sentia-me um pouco mais na pele de Gulliver.

No compto final fiquei satisfeito com a visita ao parque. Entre outras coisas, foi agradável constatar que estava conservado, embora parado no tempo, mantendo o aspecto característico dos anos 50/60, com uma ideia de país que talvez já não exista mas que é agradável relembrar.

Quanto à minha filha, desconheço se manteve a tradição familiar de esquecer basicamente tudo o que viu, ou se lhe ficou alguma coisa na memória.
É certo que teve uma vantagem sobre mim para que a recordação não se desvaneça tão depressa. Na saída de uma das casas pequenas em que entrara, ao passar a porta, magoou-se nas costas. Nada que a promessa de um gelado não lhe fizesse parar o choro.


Informação adicional em:

domingo, 20 de julho de 2014

O saber do vinho

Recepção das caves da Murganheira, Varosa, Lamego - 2012
Se há coisas agradáveis numas férias (para além de descansar, claro) é ter a oportunidade de aprender algo de novo sobre a realidade que nos rodeia.
Por essa razão, sempre que posso, desloco-me para onde possa visitar monumentos, igrejas, museus ou qualquer outro lugar de interesse.

É nesta última categoria que classifico as adegas ou caves de vinho. São lugares interessantes, onde normalmente se junta o útil ao agradável, ou seja, aprende-se algo sobre o vinho enquanto se degusta o objecto da nossa aprendisagem. E por vezes somos ainda brindados com mais alguma sabedoria extra.

Nas minhas passagens pela região de Lamego, sempre que se proporciona, não deixo de visitar as caves de espumante que por ali existem, mais particularmente as caves da Murganheira.

Das primeiras vezes que as visitei assisti ao processo artesanal da produção e aprendi algumas curiosidades sobre a feitura do espumante.
Anos mais tarde voltei lá. Agora, associada a uma multinacional, a produção aumentou pelo que é visível uma maior automatização dos processos.
No entanto, a visita continua a ser um momento agradável (onde, claro, se incluem as já referidas provas).

Momento interessante na visita é a explicação do método de abertura da garrafa, rolhada com uma cápsula, e o retirar do último depósito gerado no processo de fermentação.
Originalmente feito de forma manual, com recurso a um "abre cápsulas" e à mestria de quem o maneja ("espectáculo" a que ainda tive o prazer de assistir nas minhas primeiras visitas), é agora feito de forma mais automática, recorrendo à congelação do gargalo.

Estando a linha de produção parada, a guia explicou o processo, a razão do mesmo e a consequência do reatestar da garrafa, "transformando" o seu conteúdo em espumante bruto, meio seco ou doce.

Não sei se foi por ignorância pura, se para impressionar a sua companhia ou se por já ter feito várias provas, um dos meus "colegas" de visita destacou-se e perguntou, em tom de afirmação: "Mas também há quem faça essa operação utilizando uma espada, não é?".

Num flash veio-me à cabeça a imagem de um operário de espada na mão, a cortar os gargalos das garrafas.
Este meu pensamento foi interrompido pela voz incrédula e titubeante da guia, temendo ter percebido mal a questão: "Com uma espada? Mas isso danificava a garrafa, impedindo-a de ser novamente rolhada".
De facto, bastaria ter pensado um pouco sobre o processo para concluir que a pergunta era despropositada, raiando mesmo o risível.

Curiosamente o autor da pergunta ouviu a resposta sem qualquer vislumbre de arrependimento na sua falta de raciocínio. Enfim, nada que mais um pouco de espumante não fizesse esquecer.
E se é verdade que confessar ignorância ou desconhecimento não envergonha ninguém, também é verdade que exibir essa mesma ignorância não abona nada a quem o faz.

E com este meu ultimo "pensamento" arrumo quem possa pensar que eu apenas visito uma adega para a degustação dos vinhos. Este pequeno episódio prova-nos que, juntamente com uma flute de espumante, podemos sempre aprender mais alguma coisa sobre a natureza humana.



Informação adicional em:
Caves da Murganheira (passe a publicidade)

domingo, 22 de junho de 2014

Regresso às origens

Guimarães, Portugal - 2007
As nossas primeiras demandas em férias foram, obviamente, por Portugal,
Sem grandes responsabilidades, dois subsídios de férias disponíveis, uma tenda canadiana, um Fiat 600 e muita curiosidade, e estavam reunidas todas as condições para o sucesso da empreitada. O único "senão" era o período de férias. Basicamente Agosto. Eventualmente um dos piores meses para passear.
Mas sem contrariedades não há história.

Nos anos 80 conheci boa parte do norte e interior do país. Andámos por estradas asfaltadas ou de paralelipipedos, por festas e romarias. Andámos pelos mais diversos lugares, visitámos cidades e lugares históricos ou que de alguma maneira tínhamos curiosidade em conhecer,

Conheci um país alegre mas pobre. Um país onde não se dava grande valor ao património histórico, cultural e/ou arquitectónico (ou esse valor não era visível). Um país degradado e, de alguma forma, abandonado.
Os museus eram amontoados de peças que alguém (em desespero de causa?), de alguma forma tentara conservar. Normalmente quem nos acompanhava na visita pouco mais sabia sobre as peças do que o que figurava nas legendas, já por si, por vezes, parcas.

Com o passar dos tempos as estradas foram melhorando, o Fiat deu lugar a um Opel Corsa, passou a haver dois condutores (eu tirei a carta de condução) e os horizontes foram-se alargando e atravessando fronteiras.

O contacto com países mais ricos e, de alguma forma mais evoluídos, vieram pintar a realidade nacional de uma forma ainda mais triste. Apercebi-me de que o património degradado não tinha que ser uma fatalidade, de que os lugares podiam ser mais limpos e de que a cultura podia ser rentabilizada garantindo a sua conservação.

Para além do óbvio interesse por lugares novos, esta diferença de tratamento dos lugares e das coisas fez-nos "apetecer menos" visitar a nossa terra, optando por paragens mais longínquas.
Esta opção criou uma curiosa situação. A nossa filha conhecia melhor França do que Portugal.

Tentando inverter esta "anomalia" voltámos, sempre que possível, a relembrar o país que conhecêramos, agora bem mais pequeno graças às autoestradas.
Foi assim que em 2007, no feriado do 5 de Outubro, regressámos a Guimarães. E a surpresa não podia ser melhor.

O castelo e o Paço, ex-libris da cidade continuavam imponentes, estando bem tratados, assim como o espaço em seu redor, O museu Morais Sarmento mantinha-se fiel ao seu aspecto dos anos 50 mas mais desanuviado, arrumado e com mais informação (embora o funcionário que nos acompanhou na visita tivesse uma estranha fixação pelas suásticas que decoravam várias peças romanas).
No entanto a grande diferença estava na cidade em si.
Todo o centro histórico estava a ser de alguma forma recuperado, devolvendo à cidade a sua condição de antiga (e não de velha, como já parecera), fazendo-nos apetecer vaguear pelas suas ruelas estreitas.
Foi com agrado que registei a mudança e é com agrado que, cada vez mais, encontro uma preocupação na valorização do nosso património nas diversas incursões que vou fazendo por este Portugal fora.
Quanto à forma, essa nem sempre será consensual. Mas isso é outra discussão.



Informação adicional em:
Turismo de Guimarães

domingo, 23 de março de 2014

Santa Cruz

Santa Cruz - Portugal - 1967
No meio de tantas memórias de lugares que foram ocupando as minhas férias, seria injusto não referir o local onde tantos e tantos anos passei as férias da minha juventude: a Praia de Santa Cruz.

Desde que me conheço, os meus pais mudavam-se todos os anos para Santa Cruz no periodo de férias, normalmente em Setembro. Em Santa Cruz também estavam muitos dos meus amigos (alguns, para inveja minha, passavam lá boa parte das infindáveis férias de verão) e tinha amigos que apenas encontrava nesse periodo.

A rotina diária era forçosamente diferente. O cheiro da maresia ao levantar, o ir comprar o pão ao centro da aldeia, e depois passar o dia quase todo na praia, na areia, no meio de jogos e brincadeiras, quase só interrompidos pela tão esperada ida ao banho.
Normalmente almoçava-se em casa, não sem antes tomar um último banho, "in extremis", de forma a que não se regressasse a casa muito molhado, enrolado na toalha.
De longe em longe, a minha mãe levava o almoço até à praia e então aí, basicamente, não saíamos da praia todo o dia.
Algumas vezes a tarde contemplava um programa diferente. O aluguer de uma bicicleta no sr. Joaquim "das bicicletas" (primeiro com rodinhas laterais, mais tarde sem elas), ou então e em especial nos dias mais cinzentos, umas horas no "salão de jogos" a jogar "matrecos".

Mais tarde lembro-me dos serões na praia, quando alguém já tinha um gira-discos ou um gravador portáteis, encostados aos montes de almofadas que por lá havia, a ouvir musica ou a conversar.

Em Julho e Agosto imperam os dias maiores e mais solarengos. Já Setembro é um mês mais incerto. Se há anos em que parece estarmos no inverno e a chuva não pára, há outros em que se tem os melhores dias de todo o verão, com marés muito vazias e calmas.
Também em Setembro o areal da praia está mais vazio. Há menos veraneantes. E há fins de tarde fabulosos.
Setembro é também o mês das marés vivas. Como os meus pais gostavam de alugar a barraca mais à frente da fila, na altura das marés vivas o mar chegava até lá muitas das vezes. Era uma festa (pelo menos para nós). Faziamos barreiras de areia à volta da barraca e jogávamos à "apanhada" com o mar. Normalmente conseguiamos sempre saltar para dentro da barreira antes de ficarmos molhados, mas, por vezes, as ondas eram mais fortes e destruiam-nos as barreiras, molhando tudo à passagem.

E depois, havia ainda os gelados ao fim da tarde e a Ti' Angelina das pevides, tremoços e amendoins. E os livros de 'histórias aos quadradinhos' em segunda mão que se tocavam na papelaria União, por apenas cinco tostões.

Enfim, recordações de tempos felizes e despreocupados em que voltávamos para a escola já fartos de férias.

Tal como eu fui mudando, Santa Cruz, hoje, também está diferente. Apesar de muitas das casas térreas e baldios terem dado lugar a prédios altos e à construção de uma cintura de urbanizações, houve recentemente o bom senso de requalificar e "pedonalizar" o centro da aldeia, estancando alguma da descaracterização que Santa Cruz foi sofrendo ao longo do tempo.
A frente de mar também foi arranjada e, por força das ondas, a praia está a ficar mais estreita.
Muitos dos locais da minha infância e juventude mudaram ou acabaram, mas isso faz parte da vida (embora não entenda porque é que a nossa querida "praia do norte" foi rebatizada para "praia do centro").

Hoje vou passar férias para locais mais longínquos mas gosto ainda de passear nas ruas calmas de Santa Cruz, quando já não há a confusão do Agosto. Gosto de olhar o largo horizonte e vislumbrar as Berlengas ou de, à noite, ir tomar um copo ao "Manel".

E quando os Setembros são bons espero sempre encontrar um final de dia soalheiro, onde uma maré vazia nos faz ficar na praia até quase ao sol se pôr.


Informação adicional em:
Santa Cruz (JF Silveira)
e já agora Bar do Manel


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Ponta Delgada, Açores, Portugal

Terminal de Cruzeiros, Ponta Delgada - 2007

Das duas vezes que lá estive, ambas foram em trabalho. Da primeira mal fiquei doze horas. Da segunda deu para ver qualquer coisa, uma vez que fiquei uma noite.

Embora o contacto com a cidade tivesse sido pequeno (trabalho oblige), deu para perceber quanto as pessoas são hospitaleiras, que, estando um sol fabuloso, os aguaceiros acontecem, que o peixe é muito saboroso e a carne divinal.
Enfim todos os ingredientes para eu querer lá voltar um dia. Mas de férias.

Curiosamente, esta imagem que anexo tem, para mim, um sabor um pouco diferente.
Aconteceu na minha segunda visita a Ponta Delgada. Terminado o trabalho, faltavam umas boas horas para apanhar o avião de regresso a casa. A mim e ao meu colega restava-nos deambular pela marginal.
Nesta nossa deriva chegámos até ao terminal de cruzeiros. A tarde estava cinzenta e chuvosa, a conversa mole e a mente cansada pelo dia de trabalho. A espectativa da espera e, depois, de viagem, reduziam ainda mais o alento.

Sentámo-nos numa das esplanadas que por ali havia, para comer qualquer coisa e descansar.
As nuvens começaram a dissipar-se. O ambiente estava calmo e, do café, ouvia-se musica clássica. Serviram-nos umas sandes acompanhada por cerveja.
Fosse do ambiente, fosse do cansaço ou fosse da ceveja a cair na fraqueza, o que é facto é que, de repente, senti uma sensação de descontracção e de uma enorme paz de espirito.
Peguei no telemóvel e tirei esta fotografia, enviando-a para casa, para fazer inveja ao resto da familia.

A única reacção que recebi foi de que a imagem era curiosa.

No entanto, hoje, sempre que olho para esta fotografia, volta-me à memória, com alguma nostalgia, a agradável sensação desse momento. 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Neve

Estrada entre Manteigas e Seia - Serra da Estrela - Portugal - 2004

A primeira vez que vi neve tinha eu trinta anos. Brilhava, em pequenas porções, no cimo de alguns dos montes que circundavam Innsbruk. Estávamos em 1991.

Alguns anos mais tarde, em pleno verão, estive mesmo perto dela. Estávamos em Andorra. Mas como tinha caído há poucos dias e ainda estava muito 'macia', não era seguro aproximarmo-nos, nos locais onde ainda subsistia.

Em Fevereiro de 2004 fomos até Seia para descansar uns dias. A neve, embora não imprescindível, era um dos propósitos. No entanto, quando lá chegámos, estava frio mas seco. Nada de neve.
Na manhã seguinte a dona da casa onde ficámos deu-nos a boa nova. Tinha nevado toda a noite, a serra estava coberta de neve e a estrada da Torre estava cortada.
Tomamos o pequeno-almoço e subimos até à Lagoa Comprida, limite da estrada transitável. Depois fomos até Manteigas. Pelo meio escorregámos, brincámos, enfim, divertimo-nos.


Durante todo o dia a neve não parou de caír. De tal forma que, no final do dia, muitos carros ficaram retidos na Lagoa Comprida. Os limpa neves e os bombeiros trabalharam até altas horas da noite para os conseguir "libertar".
Já vínhamos de regresso a Seia, saídos de Manteigas, quando o nevão aumentou de intensidade. Junto à pousada decidimos dar meia volta e retornar a Manteigas. A neve acumulada na estrada aumentava, nós não tinhamos correntes e nunca antes tinha conduzido na neve. A descida, muito lenta, demorou um bom par de horas.

À noite, já em “casa”, junto à lareira, depois de um  desvio pela Guarda para conseguir regressar, relembraram-se as aventuras do dia.

Embora a estadia durasse apenas três dias, valeu a espera de tantos anos. A natureza brindou-me com muitas emoções, cenários fabulosos e, sobretudo, muita, muita neve.