sábado, 31 de agosto de 2013

66º 23´35” – Círculo Polar Ártico

Aldeia do Pai Natal - Círculo Polar Ártico - Finlândia - 2013
Alertaram-me para os mosquitos, mas estes quase não existiam
Falaram-me das auroras boreais, mas não era altura para as ver.
Mostraram-me postais cheios de neve mas esta só existe no inverno.
Falaram-me nos dias de noite permanente mas a época era de dia quase total.

Enfim, não foi a altura mais turistica. Mas o clima esteve ameno e a viagem foi surpreendente.

E, sobretudo, vi o Pai Natal.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Fotografar

Gradeamento em Fontfroid - França - 2003 (antes e depois de tratada)

Obviamente o primeiro objectivo é sempre a viagem. É ir. Visitar. Ver.
Fotografar é uma “consequência” natural. Ficar com o registo do momento ou do sitio.

No entanto nem sempre é possível conciliar as duas coisas. Ou porque não se pode fotografar o momento (é um momento fugaz, não se pode parar, a luz não permite, ...) ou porque, pura e simplesmente, não se tem a máquina.

Em viagem o material fotográfico pode também ser um problema. Ou pela cobiça dos outros ou pelo incómodo que por vezes representa.
Nesta questão o meio de transporte pode ser um factor limitativo. Numa viagem à boleia pode representar um perigo, numa viagem de comboio pode trazer algum desconforto (especialmente quando se está a falar de máquinas com alguma dimensão e respetivos acessórios).

Na era do análógico (leia-se rolo fotográfico) existiam ainda outros problemas a acrescentar: o custo dos rolos (maior se diapositivo, menor se negativo) e da revelação (exactamente o contrário), assim como, depois, a qualidade do serviço prestado pelo laboratório.
Obviamente havia a surpresa do resultado final. Muitas vezes para melhor mas, infelizmente, muitas vezes para pior (ou por falta de qualidade do fotografo ou, infelizmente em muitos casos, por falta de qualidade do trabalho do laboratório).

Com o advento do digital, o controlo do resultado final ficou mais próximo do momento da fotografia. No entanto surgiram outros problemas. Primeiro o limite da capacidade do(s) cartão(ões) de memória, depois a decisão de eliminar aquelas centenas de fotografias idênticas que não se teriam tirado se a máquina fosse ainda de rolo.

Numa época em que o digital domina (seja pelo prático que é para consultar, seja para utilizar neste blog) e começamos a olhar para o arquivo das imagens de férias, surge um novo desafio: digitalizar as centenas de diapositivos e negativos acumulados ao longo do tempo. Já agora tentando corrigir alguns dos erros que se cometeram, tornado passáveis aquelas imagens por vezes únicas, condenadas ao caixote do lixo.


O exemplo que se apresenta é uma das minhas primeiras incursões na matéria. Não sendo fabuloso (não possuo qualquer mestria na manipulação do Photoshop) revela-se no entanto promissor.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Ponta Delgada, Açores, Portugal

Terminal de Cruzeiros, Ponta Delgada - 2007

Das duas vezes que lá estive, ambas foram em trabalho. Da primeira mal fiquei doze horas. Da segunda deu para ver qualquer coisa, uma vez que fiquei uma noite.

Embora o contacto com a cidade tivesse sido pequeno (trabalho oblige), deu para perceber quanto as pessoas são hospitaleiras, que, estando um sol fabuloso, os aguaceiros acontecem, que o peixe é muito saboroso e a carne divinal.
Enfim todos os ingredientes para eu querer lá voltar um dia. Mas de férias.

Curiosamente, esta imagem que anexo tem, para mim, um sabor um pouco diferente.
Aconteceu na minha segunda visita a Ponta Delgada. Terminado o trabalho, faltavam umas boas horas para apanhar o avião de regresso a casa. A mim e ao meu colega restava-nos deambular pela marginal.
Nesta nossa deriva chegámos até ao terminal de cruzeiros. A tarde estava cinzenta e chuvosa, a conversa mole e a mente cansada pelo dia de trabalho. A espectativa da espera e, depois, de viagem, reduziam ainda mais o alento.

Sentámo-nos numa das esplanadas que por ali havia, para comer qualquer coisa e descansar.
As nuvens começaram a dissipar-se. O ambiente estava calmo e, do café, ouvia-se musica clássica. Serviram-nos umas sandes acompanhada por cerveja.
Fosse do ambiente, fosse do cansaço ou fosse da ceveja a cair na fraqueza, o que é facto é que, de repente, senti uma sensação de descontracção e de uma enorme paz de espirito.
Peguei no telemóvel e tirei esta fotografia, enviando-a para casa, para fazer inveja ao resto da familia.

A única reacção que recebi foi de que a imagem era curiosa.

No entanto, hoje, sempre que olho para esta fotografia, volta-me à memória, com alguma nostalgia, a agradável sensação desse momento. 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Neve

Estrada entre Manteigas e Seia - Serra da Estrela - Portugal - 2004

A primeira vez que vi neve tinha eu trinta anos. Brilhava, em pequenas porções, no cimo de alguns dos montes que circundavam Innsbruk. Estávamos em 1991.

Alguns anos mais tarde, em pleno verão, estive mesmo perto dela. Estávamos em Andorra. Mas como tinha caído há poucos dias e ainda estava muito 'macia', não era seguro aproximarmo-nos, nos locais onde ainda subsistia.

Em Fevereiro de 2004 fomos até Seia para descansar uns dias. A neve, embora não imprescindível, era um dos propósitos. No entanto, quando lá chegámos, estava frio mas seco. Nada de neve.
Na manhã seguinte a dona da casa onde ficámos deu-nos a boa nova. Tinha nevado toda a noite, a serra estava coberta de neve e a estrada da Torre estava cortada.
Tomamos o pequeno-almoço e subimos até à Lagoa Comprida, limite da estrada transitável. Depois fomos até Manteigas. Pelo meio escorregámos, brincámos, enfim, divertimo-nos.


Durante todo o dia a neve não parou de caír. De tal forma que, no final do dia, muitos carros ficaram retidos na Lagoa Comprida. Os limpa neves e os bombeiros trabalharam até altas horas da noite para os conseguir "libertar".
Já vínhamos de regresso a Seia, saídos de Manteigas, quando o nevão aumentou de intensidade. Junto à pousada decidimos dar meia volta e retornar a Manteigas. A neve acumulada na estrada aumentava, nós não tinhamos correntes e nunca antes tinha conduzido na neve. A descida, muito lenta, demorou um bom par de horas.

À noite, já em “casa”, junto à lareira, depois de um  desvio pela Guarda para conseguir regressar, relembraram-se as aventuras do dia.

Embora a estadia durasse apenas três dias, valeu a espera de tantos anos. A natureza brindou-me com muitas emoções, cenários fabulosos e, sobretudo, muita, muita neve.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Salzburg - Austria

Salzburg -  2007 


Depois de uma noite de chuva, uma manhã primaveril, em pleno Agosto.

Abandonado o hotel que nos abrigou do mau tempo, estacionamos o carro junto à margem do rio Salzach. A chuva quase parara e o céu começava a aclarar.

A um passo de entrar na zona histórica da cidade de Mozart, o cenário não podia ser mais perfeito.
Na falta de uma máquina “decente” para registar o momento, o telemóvel cumpriu o seu dever, gravando de forma muito feliz o início de um dia memorável.

A meio da tarde, depois de uma visita mais rápida do que o desejado, continuámos viagem rumo a Viena, ficando a vontade de cá voltar.

domingo, 10 de março de 2013

Revisitar

Santiago de Compostela - 2011


Um dos dilemas que se coloca a quem gosta de viajar é o voltar ou não aos lugares por onde já se passou. Se por um lado a oportunidade de conhecer outros lugares é escassa (quer em tempo quer em dinheiro, sendo importante não disperdiçar oportunidades), por outro não se conhece verdadeiramente um lugar se não nos sentirmos lá como em casa. Para além disso, voltar a um lugar tem outra vantagem. Passado o fascinio da novidade começamos a ver os pormenores, o que realmente é esse lugar. Mais, assiste-se à evolução desse mesmo lugar (para melhor, para pior ou para diferente), o que é sempre uma experiência interessante.

Poucos são os lugares onde volto ou voltaria com prazer. Menos aqueles em que tive a oportunidade de o fazer. Santiago de Compostela está, em qualquer dos casos, no topo da lista.

Apesar de ter tido alguns anos de interregno nas minhas regulares visitas à cidade, a quantidade de vezes que já lá fiquei faz-me sempre sentir em casa quando aí regresso.

Da primeira vez, ao fim de dois dias já conhecia boa parte do “casco” velho da cidade. Ao fim de alguns anos aprendi a comer como os locais e a tirar partido das raciones. No entanto foram precisos mais uns anos para conhecer pessoas que, mesmo após uma ausência mais prolongada, nos fazem uma festa sempre que nos revêem.

A fotografia que publico é uma fotografia “clichet” da catedral, tirada do Parque da Alameda. Mas o que é que mais se pode fotografar ao fim de tantos anos de por aqui passar?
A primeira vez que fomos a Santiago de Compostela (ainda e gloriosamente no Fiat 600) foi, se a memória não me falha, em 1982. Partimos de Viana do Castelo, de manhã, num dia de muito calor. Chegámos ao fim da tarde a Santiago (após várias paragens para deixar arrefecer o carro e voltar a pôr água no radiador). Na altura ainda se podia estacionar frente à catedral, sem qualquer restrição.
A última vez (até à data) foi no ano passado. Chegámos a meio da tarde, vindos de Léon. Desta vez o carro teve que ficar num dos vários parques de estacionamento espalhados pela cidade.

Como referi, muitas das minhas férias passaram por Santiago, razão pela qual guardo muitas e boas recordações (mesmo quando chove, o que não é raro). Mas essa memória fica para outra ocasião. Apenas como curiosidade gostava de referir que foi também em Santiago que a minha filha, então com três anos, acampou pela primeira vez, rendendo-se (julgo eu) ao campismo e, claro, à cidade.

domingo, 3 de março de 2013

O Comboio

Kyle of  Lochalsh, Escócia - 1985

Desde miudo que “comboio” é sinónimo de viajar.
Embora andasse prioritariamente de camioneta, para destinos mais longínquos como Lisboa ou Coimbra ia sempre de comboio.
Este foi sempre o meu meio de transporte preferido. Não porque fosse propriamente mais confortável (com excepção do pequeno trajecto entre Alfarelos e Coimbra B feitos no “rápido” de Lisboa), mas porque era o mais aventuroso. Podiamos andar em pé, balançando ao som das rodas nos carris, tinha casa de banho (o que era sempre bom e onde se podia ver a linha passar por baixo da sanita, visão por vezes assustadora) e, à noite, no regresso de Coimbra, dormia atravessado no banco, embalado pelo movimento da carruagem.
Sobre a camioneta o comboio tinha ainda, para mim, outra vantagem: eu não enjoava.
Dessas viagens tenho ainda mais duas recordações: o facto de o meu pai saber sempre a sequência das estações e apeadeiros por onde passávamos (ou então enganava muito bem) e a eterna pergunta, quando a viagem já ia longa e cansativa: “ainda falta muito ?”.
Acima de tudo, desta época, ficou o prazer de andar de comboio, bem como o sonho e o desejo de fazer grandes viagens.

Sorte do destino quis que a minha companheira de aventuras partilhasse o mesmo desejo e paixão por comboios. De tal forma que, para poder apreciar o prazer da viagem de comboio, chegámos a “embarcar” de véspera o carro para o Porto e fazer a viagem no “foguete”, no dia seguinte. É certo que o carro em questão era um Fiat 600, com quase vinte anos, e de outra forma, a viagem demoraria uma eternidade. Mas o que nos agradava nesse pequeno luxo era, sobretudo, a viagem de comboio.

O comboio tem um problema. Pode ser a última maravilha da técnica ou... a última maravilha de há muitos anos (e por vezes sabe-se lá em que estado de conservação). No entanto, a meu ver, as vantagens superam em muito os inconvenientes. Para além da descontração da viagem, as linhas de comboio passam quase sempre por fora dos centros urbanos e das povoações, dando-nos uma visão diferente dos lugares e das paisagens. Mesmo quando entram nas cidades a visão que nos mostram é única e diferente. Guardo na memória, entre outras imagens, a vista deslumbrante do Porto, de cima da ponte Dª Maria e, por oposto, os bairros degradados dos arredores de Paris.

A minha grande traição ao comboio ocorreu na minha primeira viagem de longa distância. Bem mais económico, foi num autocarro que cheguei pela primeira vez a Paris, após dois infindáveis dias sentado num banco.
Nesse mesmo ano foi ainda um autocarro que me levou a Londres. No entanto foi o comboio que me permitiu um primeiro vislumbre da Grã-Bretanha e em especial da Escócia.

Numa época em que se investe cada vez mais em estadas, é ainda graças ao comboio que se podem admirar paisagens fascinantes ou chegar a locais longínquos como o da imagem.