segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Cerveja com alma...

U Fleku - Praga - Républica Checa - 2007


U Fleku.
É um sítio célebre em Praga.
Sítio de turistas e checos, que ali se misturam bebendo a cerveja escura que os empregados colocam na frente de todos os que se sentam nas grandes mesas coletivas.
Claro que lá fomos. A cerveja é negra e doce, servida em enormes canecas, acompanhada de pequenos copinhos de aguardente amarga. O ambiente é alegre e festivo, os espanhóis e os italianos cantam e batem palmas, os outros acompanham ou não, consoante o número de cervejas já bebido.

Neste dia em que entrámos no Fleku pela primeira vez era já um pouco tarde. Sentamo-nos numa mesa onde já estava um pequeno grupo de ingleses, mais discretos que os restantes turistas. A banda corria a sala em tons alegres mas fazia-se tarde e todos foram saindo.
Então entrou um grupo. Checos? Russos? Eslavos, sem dúvida.
De repente o som de um acordeão fez-se ouvir e, puxada por ele, veio a voz de um deles. Não percebemos nenhuma palavra, mas havia naquela voz uma tristeza, uma paixão e uma suavidade que me ficaram sempre na memória.
Por uns momentos o Fleku não foi a cervejaria de turistas.
Por uns momentos foi o lugar de uma alma eslava que silenciou toda a sala.
Por momentos, o Fleku foi só deles e não nosso.


Informação adicional em:
U Fleku


domingo, 26 de janeiro de 2014

A Pedra da Roseta

Figeac - França - 2003
Nesse ano acampamos em Millau e numa das voltas que demos parámos em Figeac.

A paragem não foi inocente. A minha filha andava fascinada com o antigo Egipto e sabia que Champollion, o tradutor da Pedra da Roseta, nascera aqui. Nada mais simples do que “fazer-nos o cerco” para lá ir, visitar o museu que se anunciava existir.

Na mesma época, Lara Croft, com suas aventuras no meio de esqueletos e mumias, era uma das suas heroinas.

O sol estava quente e os contrastes grandes. O olho do fotógrafo fez o resto. Perfeito. Nada melhor podia registar a nossa passagem por Figeac.

Quanto à pedra, a verdadeira, viu-a uns anos mais tarde no Museu Britânico.


Informação adicional em:

domingo, 10 de novembro de 2013

Uma realidade inusitada

Castelo de Bragança - Portugal - 2013 

Se há coisa que me agrada quando estou de férias num qualquer lugar é “perder-me”. Perder-me nos sitios, deambular sem qualquer propósito, enfim ir ver.

É nesses momentos que descobrimos os sítios mais inusitados, por vezes menos turisticos, mas mais reveladores de quem lá vive. São as ruas secundárias, as passagens esquecidas ou apenas conhecidas de quem por ali vive ou por lá se ‘perde’.

É certo que esta atitude não está desprovida de riscos. Por vezes vamos parar a sítios menos seguros ou onde, por vezes, nos sentimos menos confortáveis.
Tal já me aconteceu em Praga, onde decidi seguir uma pessoa por uma passagem entre prédios e essa viela levou-me para páteos traseiros de prédios, cuja saída algo labirintica desembocou junto a uma oficina de automóveis. Verdade seja dita, só me senti mais seguro quando vislumbrei os transeuntes na rua, do outro lado da porta por onde saí  perante o olhar interrogativo dos mecânicos que me viram passar. Mas também é verdade que foi a mesma atitude que me fez seguir um jovem com uma bicicleta, descobrindo uma passagem pedonal por debaixo do Tamisa, em Londres.

No entanto, é nessa pesquisa pelo ainda não olhado que nos surgem os cenários inimagináveis como o da imagem.

Somiedo

Camping Lagos de Somiedo - Espanha - 1994

Da primeira vez fomos à aventura. Apenas tinhamos a referência da existência do parque natural e de que havia lá um parque de campismo. Da segunda regressávamos de França e a aventura ia sendo maior porque o parque estava cheio. Valeu-nos a hospitalidade dos responsáveis do parque.

Somiedo é um daqueles lugares mágicos. Não há nada e, talvez por isso, há um mundo fabuloso a descobrir.

O parque fica numa leira, a 1.600 m. de altitude e a escarpa que vemos na imagem sobe até aos 1.900. Do lado de cá da fotografia passa alegremente um riacho, ao qual a minha filha, então com quatro anos, se divertia a atirar pedras. Na aldeia, a Tasca do Aurélio fazia as delicias gastronómicas do almoço.

Descendo ao vale por uma estreita estrada ao estilo dos Andes (com uma vista fabulosa mas com uma berma assustadora) encontramos Pola de Somiedo. É aqui que existe alguma “civilização” e onde nos podemos abastecer para poder regressar à montanha.

De novo lá em cima, e assim que o sol se esconde, o frio da montanha toma conta de tudo. E quando a noite cai, no espaço deixado por entre o negro das montanhas envolventes, vislumbra-se um céu fabuloso, preenchido com milhares de estrelas. Um céu que até agora nunca vi noutro lugar.

sábado, 31 de agosto de 2013

66º 23´35” – Círculo Polar Ártico

Aldeia do Pai Natal - Círculo Polar Ártico - Finlândia - 2013
Alertaram-me para os mosquitos, mas estes quase não existiam
Falaram-me das auroras boreais, mas não era altura para as ver.
Mostraram-me postais cheios de neve mas esta só existe no inverno.
Falaram-me nos dias de noite permanente mas a época era de dia quase total.

Enfim, não foi a altura mais turistica. Mas o clima esteve ameno e a viagem foi surpreendente.

E, sobretudo, vi o Pai Natal.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Fotografar

Gradeamento em Fontfroid - França - 2003 (antes e depois de tratada)

Obviamente o primeiro objectivo é sempre a viagem. É ir. Visitar. Ver.
Fotografar é uma “consequência” natural. Ficar com o registo do momento ou do sitio.

No entanto nem sempre é possível conciliar as duas coisas. Ou porque não se pode fotografar o momento (é um momento fugaz, não se pode parar, a luz não permite, ...) ou porque, pura e simplesmente, não se tem a máquina.

Em viagem o material fotográfico pode também ser um problema. Ou pela cobiça dos outros ou pelo incómodo que por vezes representa.
Nesta questão o meio de transporte pode ser um factor limitativo. Numa viagem à boleia pode representar um perigo, numa viagem de comboio pode trazer algum desconforto (especialmente quando se está a falar de máquinas com alguma dimensão e respetivos acessórios).

Na era do análógico (leia-se rolo fotográfico) existiam ainda outros problemas a acrescentar: o custo dos rolos (maior se diapositivo, menor se negativo) e da revelação (exactamente o contrário), assim como, depois, a qualidade do serviço prestado pelo laboratório.
Obviamente havia a surpresa do resultado final. Muitas vezes para melhor mas, infelizmente, muitas vezes para pior (ou por falta de qualidade do fotografo ou, infelizmente em muitos casos, por falta de qualidade do trabalho do laboratório).

Com o advento do digital, o controlo do resultado final ficou mais próximo do momento da fotografia. No entanto surgiram outros problemas. Primeiro o limite da capacidade do(s) cartão(ões) de memória, depois a decisão de eliminar aquelas centenas de fotografias idênticas que não se teriam tirado se a máquina fosse ainda de rolo.

Numa época em que o digital domina (seja pelo prático que é para consultar, seja para utilizar neste blog) e começamos a olhar para o arquivo das imagens de férias, surge um novo desafio: digitalizar as centenas de diapositivos e negativos acumulados ao longo do tempo. Já agora tentando corrigir alguns dos erros que se cometeram, tornado passáveis aquelas imagens por vezes únicas, condenadas ao caixote do lixo.


O exemplo que se apresenta é uma das minhas primeiras incursões na matéria. Não sendo fabuloso (não possuo qualquer mestria na manipulação do Photoshop) revela-se no entanto promissor.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Ponta Delgada, Açores, Portugal

Terminal de Cruzeiros, Ponta Delgada - 2007

Das duas vezes que lá estive, ambas foram em trabalho. Da primeira mal fiquei doze horas. Da segunda deu para ver qualquer coisa, uma vez que fiquei uma noite.

Embora o contacto com a cidade tivesse sido pequeno (trabalho oblige), deu para perceber quanto as pessoas são hospitaleiras, que, estando um sol fabuloso, os aguaceiros acontecem, que o peixe é muito saboroso e a carne divinal.
Enfim todos os ingredientes para eu querer lá voltar um dia. Mas de férias.

Curiosamente, esta imagem que anexo tem, para mim, um sabor um pouco diferente.
Aconteceu na minha segunda visita a Ponta Delgada. Terminado o trabalho, faltavam umas boas horas para apanhar o avião de regresso a casa. A mim e ao meu colega restava-nos deambular pela marginal.
Nesta nossa deriva chegámos até ao terminal de cruzeiros. A tarde estava cinzenta e chuvosa, a conversa mole e a mente cansada pelo dia de trabalho. A espectativa da espera e, depois, de viagem, reduziam ainda mais o alento.

Sentámo-nos numa das esplanadas que por ali havia, para comer qualquer coisa e descansar.
As nuvens começaram a dissipar-se. O ambiente estava calmo e, do café, ouvia-se musica clássica. Serviram-nos umas sandes acompanhada por cerveja.
Fosse do ambiente, fosse do cansaço ou fosse da ceveja a cair na fraqueza, o que é facto é que, de repente, senti uma sensação de descontracção e de uma enorme paz de espirito.
Peguei no telemóvel e tirei esta fotografia, enviando-a para casa, para fazer inveja ao resto da familia.

A única reacção que recebi foi de que a imagem era curiosa.

No entanto, hoje, sempre que olho para esta fotografia, volta-me à memória, com alguma nostalgia, a agradável sensação desse momento.