terça-feira, 17 de março de 2020

Viajar… em binário

2005 - Paris - Conciergerie
Nestes tempos de pandemia, diz-nos a razão de que devemos ficar em casa. O problema é que a perspectiva de ficarmos confinados a horizontes “curtos” nos faz desejar querer alargá-los.
Quem, como eu, está sempre pronto para ver o que se esconde atrás da linha do horizonte, as próximas semanas, senão meses, avizinham-se problemáticas.

É certo que tenho acesso a um quintal, onde me posso ir entretendo a arrancar ervas daninhas (sorte de que nem toda a gente se pode gabar de ter). No entanto tenho a certeza de que tal tarefa não me vai ocupar o tempo todo.
Não só porque não é o trabalho dos meus sonhos, como o quintal não é assim tão grande, nem o crescimento das ditas ervas assim tão rápido.
Por essa razão tenho que pensar em ocupar-me com mais qualquer coisa.

Enquanto ia ocupando os meus pensamentos com esta questão (outra forma de passar o tempo), vieram-me à cabeça os versos de uma velha música do Sérgio Godinho, “E então tu olhaste / Depois sorriste / Abriste a janela e voaste” (in “A noite passada”).

Primeiro esta passagem fez-me ficar com uma pequena inveja por não poder fazer o mesmo (o voar, claro, porque tudo o resto ainda me é permitido). Depois pus-me a pensar se não estaria a ser um pouco piegas, ou armado em “menino mimado”.

Nos tempos que correm, mesmo fechado numa sala, tenho possibilidade de “abrir uma janela e voar” (obviamente no sentido figurado).
Se no século passado, o mais próximo que tínhamos de uma “janela para o mundo” eram os livros ou as revistas, ou eventualmente a televisão, hoje, quando se tem acesso a um computador com ligação à Internet, os limites são um bom bocado mais alargados.

Na Internet não há só noticias, redes sociais ou músicas. Existe de facto um mundo. Mais concretamente existe um mundo da Google, o Google Earth.

Quando apareceu (e já lá vão muitos anos) foi uma curiosidade. Ver a terra de cima (muitas das vezes com uma definição que deixava muito a desejar), era algo de novo e interessante. Mas, passada a novidade, esta aplicação saiu do meu “radar”. O mais próximo que utilizava era o Google Maps, mas mais pelos mapas do que pelas imagens de satélite.

Agora, nesta minha demanda por ter algo com que me entreter, regressei lá.

Confesso que passei um bom par de horas a “viajar” e descobrir o mundo.
A versão actual, não só nos permite continuar a ver as imagens de satélite, como também nos propõe jogos e visitas a locais, ou conjuntos de locais (agregados por situação geográfica ou por tema), através do Street View.

Claro que se pode sempre dizer que não é a mesma coisa. Mas pelo menos permite-nos acalmar a sensação de fechamento, e ir “viajando” por muitos outros lugares... e permitir que as ervas voltem a crescer, garantindo-me mais algumas horas de ocupação.


Nota:
o modo Street View tem também a possibilidade de visitar o interior de alguns museus ou edificios, como os que aqui se seguem, a titulo de exemplo


existe ainda o Google Arts & Culture

no entanto, como alguns só têm “visitas” próprias, deixo também aqui os acessos


e há também aqueles museus que nem sequer existem fisicamente




quinta-feira, 25 de abril de 2019

Parquímetros

Exposição Franquin - Paris - 2005
Um destes dias fui abordado por um jovem estrangeiro que me pediu para o ajudar a resolver um problema: tinha o carro bloqueado por não ter pago o parquímetro e não sabia quem contactar.

Esta situação lembrou-me da necessidade de estacionar o carro, em muitas das viagens que fomos fazendo ao longo dos anos, bem como da necessidade cada vez maior de regular a convivência no espaço urbano entre os peões e os carros.

As primeiras viagens que fizemos aconteceram ainda no tempo em que não sabia o que era um parquímetro. Estacionava-se o carro no primeiro “buraco” em que ele coubesse, desde que não impedisse o transito, e pronto, íamos à nossa vida. Por isso, para esta questão, vou ignorar esse período.

Foi numa das várias idas a Santiago de Compostela que me questionei, pela primeira vez, desta necessidade de convivência. Não que na altura esta questão se me colocasse, mas sim porque fui "obrigado" a tal.

Nas nossas primeiras viagens a Santiago estacionamos ainda no largo da Catedral, na Praça do Obradoiro.
Aos poucos o espaço de estacionamento foi sendo interditado, passando nós a estacionar, primeiro na Rua de San Francisco e depois na Av. Xoán XXIII.
No entretanto, construíram um enorme parque de estacionamento, paralelo à referida avenida.

Foi então que, num belo dia dos anos 80, ao chegarmos à Av. Xoán XXIII, esta estava completamente vazia. Estranhamos o facto mas estacionamos na mesma.
Foi com esta estranheza em mente que nos fomos afastando do carro e foi a mesma que nos fez regressar de novo ao carro e procurar outro lugar de estacionamento, numa das ruas vizinhas.
Após estacionarmos o carro, regressámos, agora a pé, ao lugar onde anteriormente o tínhamos parado, rumo ao centro da cidade.

Curiosamente, nesse mesmo lugar, estava já outro carro estacionado.
Enquanto íamos seguindo o nosso caminho e nos aproximávamos deste carro, comentámos que, se calhar, tínhamos chegado mais cedo que o normal e, por isso, não haveria ainda carros ali estacionados.
Foi então que vimos aproximar-se um reboque da policia, e qual troca de pneus numa prova de Formula 1, levantou o carro estacionado, prendeu-o ao reboque e, num ápice, levou-o para dentro do estacionamento.
Estava explicada a “limpeza”. Após a criação de parques, a Cidade de Santiago decidiu regular o estacionamento indevido e desimpedir as ruas (constatámos mais tarde haver um sinal de proibição de estacionamento no inicio da rua).

Este episódio, para nós inesperado e um pouco inusitado, fez-nos discutir e pensar sobre o tema.
Concluímos que a edilidade tinha razão. Para se usufruir da cidade, o estacionamento tem que ser regulado. O espaço público existente não tem que, necessariamente, estar ocupado pelo mais ‘forte’ (o carro), nem, como condutor, tenho de esperar poder estacionar em qualquer lugar, junto ao meu destino.
Assim, ao deslocar-me a um qualquer lugar, para estacionar o carro, não me posso admirar se tiver que o deixar apenas onde está estipulado, e poder ter de pagar pelo espaço.
Desde essa data foi esse o nosso entendimento e não nos temos dado mal com ele.

Graças a este episódio e a esta reflexão, em férias posteriores, quando nos aventurámos a ir até França, país em que os parquímetros são como cogumelos, não perdemos demasiado tempo, nem paciência, na procura de um sitio para ‘largar’ o carro e visitar o lugar.
Houvesse um parque de estacionamento ou um lugar de parquímetro e era ali que o carro ficava.

O problema agora passou a ser outro: ter moedas! 
Mas isso são outras histórias.

sábado, 9 de setembro de 2017

Refrigerantes

Edimburgo 2017

Na minha juventude os refrigerantes a que tínhamos acesso eram todos de carácter local ou nacional (ou assim pensava eu).

Os mais vulgares eram as gasosas (doces, transparentes e com muito gás) e as laranjadas (iguais mas laranja vivo). Da marca “Torreense” ou de outra marca qualquer, poder beber algo que não fosse água, era uma enorme satisfação.
E nos dias de sorte podíamos beber ‘Sumol’ (de laranja ou ananás), ‘Laranjina C’ ou ‘Canada Dry’, que também tinha gasosas mas, sobretudo, cola – Spur Cola.

Acompanhar uma refeição com um refrigerante era um luxo que só acontecia num dia de férias ou numa visita a algum familiar, para não falar, claro está, nos casamentos e nos baptizados.

Marcas como a Coca Cola, Fanta ou Sprite só se viam nos filmes e estavam reservadas aos poucos que íam ao estrangeiro (leia-se Espanha). E saber que alguém bebera uma dessas bebidas era motivo de inveja (quer na vertente de “fazer..”, como, sobretudo, na de “ter...”).

Com o 25 de Abril abriram-se portas às multinacionais (e à descoberta de que algumas já cá estavam). A primeira garrafa de Coca Cola comprada lá em casa ainda subsiste (a fazer de jarra solitária), qual marco do fim do isolamento a que o país se tinha sujeitado.

A entrada das grande companhias e, sobretudo, a globalização fez desaparecer os produtores locais (alguns com produções de qualidade dúbia) e transformou os fabricantes nacionais em fabricantes das marcas “globais”.
É por isso que, quando nos deslocamos a qualquer lugar, os refrigerantes que encontramos são sempre os mesmos, ou versões dos mesmos.

No entanto, quando olhamos mais atentamente para as ofertas de refrigerantes que encontramos, verificamos existirem “pequenos desvios” no marasmo que é a lista dos refrigerantes que nos são apresentados nos supermercados e nos restaurantes.

Esta questão colocou-se-me pela primeira vez, em França.
Para variar das sucessivas colas que a Joana bebia às refeições, "descobrimos" a limonade (das mais variadas marcas), isto é, a familiar gasosa que bebia na minha infância.
Na prática água gaseificada com açúcar (ou derivado) e gosto suave a limão(?). Básica qb para não parecer ser nem uma Sprite ou 7Up, nem um sofisticado refrigerante de limão. Uma limonade, e pronto.

Foi assim que, aos poucos, me apercebi de que, localmente, existem bebidas que acabam por ser uma espécie de resistência a essa globalização, e que basicamente apenas os locais conhecem e/ou bebem.
Nos casos mais simples estão as gasosas que referi ou a ‘nossa’ Sumol, marca muito ‘nossa’, embora idêntica a muitas outras existentes noutros países (os franceses têm a Orangina).
Mas existem casos mais radicais. Este ano deparei-me com a escocesa Irn Bru, bebida laranja “apaga-a-luz”, fortemente gaseificada e que sabe a rebuçado de laranja.
Escolhi-a como alternativa às opções existentes. Ao bebê-la, não só me fez relembrar alguma infância, como me deu adicionalmente um ar rebelde.
Pelo menos foi o que senti, onde a minha bebida se destacava, numa sala em que os miúdos todos que ali almoçavam bebiam cola ou derivados.


À noite reconciliei-me com a vida adulta, e, frente a um pint de uma boa cerveja artesanal, conversei alegremente com os meus companheiros de refeição.

sábado, 18 de março de 2017

Uma ovelha num museu

Edimburgo, 2016
Eu tinha acabado de entrar num dos salões do Museu Nacional da Escócia e à minha frente estava uma ovelha, igual a muitas outras que eu já tinha visto ao longo da minha vida. Lanzuda, com um ar pacato e destoando completamente de tudo o que a rodeia.

À sua volta estavam automóveis de formula 1, aviões, telemóveis e muitos outros objectos de tecnologia de ponta.
E no entanto ela tinha toda a legitimidade para estar ali.

Antes de se ler a placa que a acompanha, qualquer um, apanhado desprevenido, poderia especular sobre qual a razão da sua presença numa sala de museu, dedicada à tecnologia..
As fibras e os tecidos? O leite e os seus derivados? Novas técnicas de pastagem?
Não. Nada disso.
A razão da sua presença neste museu deve-se à sua origem. Outra ovelha.

Bom, dito assim pode parecer estranho, mas, de facto, é a sua origem que a torna única (bom, também não exactamente) e um produto hi-tec.
Os seus genes são exactamente iguais aos de outra ovelha mais velha.

Claro que estamos a falar da ovelha Dolly e de clonagem.

Curiosamente eu já sabia que ela estava por ali. No entanto, a sua presença ("empalhada") não deixou de me surpreender.

Olhando para ela não lhe conseguimos identificar nada de estranho ou extraordinário. É apenas mais uma ovelha. Mas, o facto de existir representa um passo importante na genética.

Passada a “surpresa” e a observação do inocente animal, segui a minha visita, passando ao objecto seguinte da exposição.
No entanto não deixei de constar que é este também um dos fascínios dos museus. Olharmos para objectos, aparentemente comuns, por vezes com um aspecto inocente e insignificante, e descobrimos que carregam uma história rica, complexa e surpreendente.


Informação adicional em:
Ovelha Dolly - Wikipedia
Clonagem da ovelha Dolly
The National Museum of Scotland

E, porque não, a inspiradora do nome, Dolly Parton


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Tatin? Topic!


Após a morte de Jean Tatin, no final do século XIX, as suas filhas, Stéphanie e Caroline, herdaram o hotel e restaurante que ele possuía em Lamotte-Beuvron, no Loir-et-Cher (centro da França).
Caroline era conhecida por ser uma excelente administradora e Stéphanie uma cozinheira talentosa. 
As duas irmãs formavam assim uma óptima equipa, permitindo continuar a gerir com sucesso o estabelecimento que herdaram do pai.
Hotel familiar, acolhia com frequência boa parte dos caçadores da região. E, no menu do restaurante, constava com regularidade tarde de maçã, uma das especialidades da casa e de Stéphanie.

Num domingo de abertura de caça, estando o restaurante particularmente movimentado, Stéphanie verifica que não fez a sua habitual tarte de maçã. Para não desiludir os clientes tratou de, rapidamente, preparar a referida tarte. No entanto, com a pressa, esqueceu-se de colocar a massa no fundo da forma.
Ao aperceber-se do erro constatou com satisfação de que as maçãs não se tinham queimado mas sim caramelizado. Acto imediato, virou a tarte ao contrário, sobre a massa de cobertura, e foi assim que nesse dia serviu a tarte aos caçadores que ali almoçavam.

Reza a história que essa tarte terá feito um grande sucesso. Nascia assim a tarte Tatin.


***

Em 1994 eu era um completo ignorante no que diz respeito a tartes de maçã.
Sempre gostei de tartes de maçã e comia-as com agrado, em especial, se levassem bastante maçã.
Mas as férias desse ano iriam mudar para sempre a minha visão sobre o mundo das tartes de maçã.

Em Agosto acampámos em Andorra, mais concretamente no parque da Xixerela, em La Massana.
Quis o destino que, nesse dia, o calcorrear das estradas de montanha do "País dos Pirenéus", nos levasse até Ordinho, onde parámos para almoçar.

No deambolar pelos menus expostos, no exterior dos restaurantes e snack-bares de Ordinho, houve um que nos seduziu mais: o Topic.
Anunciava-se como sendo um restaurante de cozinha Belga, e exibia uma lista de pratos (bem como de cervejas) que nos agradou bastante.
A escolha estava feita.

O interior tinha uma decoração moderna, interessante e original. A comida foi agradável e bem confecionada, e a cerveja não desiludiu. No entanto a surpresa surgiu no fim.

Como sobremesa, entre outros doces, era proposta uma "tarte Tatin". 
Como já referi, não fazia a menor ideia de que tipo de tarte era. Mas, sendo de maçã e, se mantivesse a qualidade do resto do almoço, deveria ser de certeza boa.

Só que não era boa. Era divinal.
E se até à data nunca tinha comido uma tarte Tatin, a partir daquele dia poderia dizer que nunca tinha comido uma tarte de maçã tão boa. 
Rendi-me à tarte.

Passei a ser muito mais crítico no que se refere a tartes de maçã. E passei a ter grandes desilusões nas diversas tartes, ditas "Tatin", que a patir desse dia fui comendo.

Nos anos que se seguiram, sempre que passávamos por Andorra, ir a Ordinho comer uma fatia de tarte Tatin tornou-se uma obrigação.

Levando-nos as férias para outras paragens, há já vários anos que não passamos por Andorra e muito menos por Ordinho. Como tal, não sei se, no Topic, ainda se serve tarte Tatin ou se, servindo, esta ainda é igual à das minhas memórias. 
No entanto, ainda hoje, à tarte Tatin apenas consigo associar um único nome: Topic.



Informação adicional em:
Topic
Visit Andorra


domingo, 4 de setembro de 2016

Tempo de viagem

Lindholm Hoje, Agosto 2009
Estávamos de visita a um cemitério. Parece insólito mas não o é.
No norte da Jutlandia, aquele pedaço da Dinamarca que parece uma erupção de terra mas é na verdade uma ilha, há um sítio estranho que bem podia ser o cenário de um filme de fantasia.
O cemitério viking de Lindholm Hoje remonta ao século V e tem a particularidade de ter centenas de campas limitadas por pedras semelhando a silhueta de um barco.
À primeira vista, parece-se um pouco com um parque para piqueniques e as famílias passeiam por ali como se o fosse. Não há crianças a correr e a gritar, como seria normal em qualquer parque, mas há alguma excitação contida.
Parece pouco, mas o espirito mítico que ali se adivinha compensa a visita.
A complementar há um museu esclarecedor, não muito grande, mas que nos permite situar culturalmente o lugar que visitamos. E uma pequena loja cheia de tentações.

Havia um número razoável de visitantes e a certa altura fui interpelada por uma senhora de olhar alegre e curioso "vous êtes portugais?".
Na nossa geração aprendemos francês, pelo que não foi difícil o diálogo.
Que sim. E porquê? Ora, simples, porque a senhora em questão vivia em Paris e conhecia muitos portugueses. E tinha uma especial consideração pela honestidade e amor ao trabalho dos portugueses. O diálogo evoluiu e passamos ao plano individual em que falamos de nós próprios e das viagens que nos tinham levado a este encontro num cemitério no meio do nada.
"Pois nós os dois estamos de volta a casa. Mas vamos com calma. Só chegamos lá para outubro. Já não temos preocupações..." E riu com um riso jovem e feliz.
A senhora em questão tinha passado os 80 anos e o marido tinha 85 ou 86. Professores de línguas e de música, com a paixão das viagens, viram a reforma já pelos 70 anos como um início e não um fim de vida.
"Sabe, minha querida, os filhos têm a vida deles, os filhos deles, não precisam de nós. Vendemos o carro e compramos uma autocaravana. Em abril saímos de casa. Desligamos luz e água, e vamos andando ao sabor do que nos aparece. Somos velhos, não somos exigentes, não comemos muito, gastamos aqui o que poupamos em casa. E é muito melhor, não é?" E riu-se novamente. "Só voltamos a casa em outubro. Gostamos das nossas comodidades no inverno. Depois, em abril, voltamos a partir. Já corremos a Europa quase toda mas ainda temos muito para ver."
Abraçamos-nos na despedida.
"Tem sido o melhor tempo da nossa vida... há que aproveitar a liberdade."

E ainda há quem diga que há um tempo certo para tudo.
Claro que há. Que o diga este casal de viajantes.


Lindholm Hoje na Wikipedia
Lindholm - a Viking network
The Vikings of Lindholm Hoje

sábado, 26 de março de 2016

Um Croque Monsieur em Pau

Place Georges Clemenceau, Pau - 2008
De todas as vezes que viajámos para França apenas duas coisas estavam garantidas: a data da partida e o lugar onde dormiríamos a primeira noite.
Boa parte dessas "primeiras noites" foram dormidas em Pau, cidade de que guardo boas recordações, apesar de a conhecer mal.
Basicamente chegávamos ao motel, registávamos a entrada e dirigiamo-nos até ao centro da cidade a pensar em comer qualquer coisa.
Normalmente, estacionávamos o carro junto à Place Georges Clemenceau e "abancávamos" no La Coupole, um café / cervejaria, onde comíamos grande parte das vezes um croque monsieur ou um croque madame.

Fosse do cansaço da viagem ou fossem as tostas mesmo boas, o facto é que, quando nos aproximávamos de Pau, começávamos a antecipar o almoço tardio no La Coupole.

Depois dessa refeição ligeira, com a barriga mais aconchegada, voltávamos para o quarto, para dormir e descansar da noite em branco, consequência da travessia de Espanha.

Ao fim da tarde, já mais recompostos, voltávamos ao centro, estacionávamos novamente o carro mais ou menos no mesmo local, e então passeávamos pelas ruas que nos levavam até ao castelo.
Algures lá no meio ou novamente no La Coupole jantávamos e regressávamos de novo ao nosso quarto para dormir e, na manhã seguinte, prosseguir a viagem.

Curiosamente, destas passagens por Pau, para além de uma ou outra rua, apenas associo à cidade o La Coupole e uma outra loja, a Nature & Découvertes, uma loja de "natureza" ("Cadeaux nature pour la maison et le jardin : jouets, livres, décoration intérieure, parfums d'intérieur, stations météo, matériel pour la randonnée et l'observation"), local onde costumávamos entrar e perder um bom bocado a ver os objectos e os livros que lá estavam à venda.

A mudança da rota de férias fez com que Pau.deixasse de ser o nosso local de pernoita.
No entanto, após alguns anos, em 2008, regressamos à cidade, desta vez em final de dia, no percurso contrário, ou seja, no regresso a casa.

O tempo estava chuvoso, mas a expectativa do reencontro de sabores conhecidos faziam com que o clima não fosse relevante.
A praça, outrora basicamente um parque de estacionamento, estava agora arranjada e transformada numa agradável zona pedonal.
A Nature & Découvertes continuava igual a si própria. Mas o La Coupole já não existia. No seu lugar estava uma agência bancária.

Frustrada a nossa expectativa de comer uma bela tosta (madame ou monsieur), acompanhada por uma boa cerveja de pressão (limonada para os "menores"), foi debaixo de uma (agora chata) chuva miudinha, que rumámos em direcção ao castelo para, num dos restaurantes circundantes, jantarmos qualquer coisa.

Depois dessa passagem nunca mais regressámos a Pau. No entanto, mesmo passados tantos anos, ainda me vem à memória a esplanada de café, igual a muitas outras, mas onde a cerveja a copo e o croque tinham um sabor muito especial.
Sabiam a inicio de férias.


Informação adicional em:
Pau
Pau na Wikipédia
O Croque Monsieur
Uma variante - O Croque Madame
Outra versão do Croque Madame

sábado, 19 de março de 2016

A muralha debaixo da igreja

Muralha de D. Dinis, Lisboa - 2014
Ouvi falar pela primeira vez na muralha de D.Dinis no lugar em que menos o esperaria. Na página Web do Banco de Portugal.

Julgo que estava à procura do câmbio de uma qualquer moeda quando me chamou a atenção um link que destoava completamente dos restantes: A Muralha de D.Dinis (hoje substituído pelo link do museu do dinheiro).

A minha curiosidade levou-me a seguir por ele. Descobri que não estavam a enganar ninguém. Era, de facto, uma ligação para onde dizia. Mais concretamente para a informação referente à descoberta de parte da muralha de D.Dinis e à exposição existente em torno da mesma.

Sendo visitável, decidimos, num sábado de manhã, ir até lá ver o que era.

A muralha fica por baixo da Igreja de S. Julião, no largo do Município, em Lisboa. A igreja, dessacralizada à muitos anos, é pertença do Banco de Portugal, razão do link na sua página principal.

Para visitar a muralha temos de entrar pela igreja e descer a uma espécie de cripta, uma vez que a parte visível da muralha fica alguns metros abaixo do nível do chão.

A zona de visita resume-se, basicamente, a um corredor com talvez uns 25 metros de comprimento, parte dos quais ao longo de um pedaço da dita cuja muralha.

Dito assim, poder-se-ã pensar que a visita é algo de desinteressante e/ou rápido. Mas não. O guia que nos acompanhou "ocupou-nos" mais de meia hora com a descrição histórica do local, da muralha, da sua ligação ao dia-a-dia dos habitantes da zona e ao desenvolvimento da cidade, bem como à descrição de alguns dos objectos encontrados e ali expostos.

Para quem pensar que um "muro" é apenas um muro e não mais do que um muro, que se desengane.
Vá visitar a dita muralha e descubra que um "muro" pode não ser só um muro. Pode ser bem mais do que um muro.


Informação adicional em:

domingo, 17 de janeiro de 2016

O fim do Mundo

The Word's End, Royal Mile, Edimburgo - 2015
Se tudo tem um fim, terá de haver um fim do mundo.
E há. Jantei lá em Novembro passado.

Hoje o World's End é um pub, mas nem sempre foi assim.
No séc. XVI, depois da batalha de Flodden onde os Ingleses derrotaram os Escoceses, os habitantes de Edimburgo construiram uma muralha protectora para defesa da cidade dos ataques ingleses. A Flodden Wall.
A muralha limitava não só a cidade como também o espaço até onde os seus habitantes podiam ir. Junto ao lugar onde hoje se situa o pub ficava uma das principais portas da muralha. Como o mundo exterior já não lhes pertencia, aquela porta marcava o fim do mundo.

Hoje a muralha já ali não existe, restando apenas a sua memória e a sua localização marcada no chão. Para além, claro, do World's End.

Do World's End só tenho boas memórias. A cerveja, de produção própria, é muito agradável e a comida bem feita.
O Fish and Chips (prato que comi), um dos ex-libris do pub, estava ao nível das minhas expectativas.

Hora e meia depois, findo o repasto e a cerveja, com a conversa ainda animada, regressámos ao frio da rua, bem mais aconchegados do que quando para lá entrámos.

Agora, depois desta experiência, posso dizer que afinal o fim do mundo é um lugar bem acolhedor.


Informação adicional em:
The World's End

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A Gaita de Foles

Pipefest, Edimburgo - 2015
Não sei porquê, mas sempre que se fala da gaita de foles, a primeira associação que me ocorre é a Escócia. E num dia "bom" posso até, por momentos, vislumbrar a imagem de um escocês no cimo de uma colina, a tocar, solitário, o "Amazing Grace".

Digo que não sei porquê porque, ao longo da minha vida, cruzei-me já com várias versões, de outras tantas nacionalidades, do dito instrumento.

Durante o carnaval, ainda gaiato, assisti vezes sem conta ao desfile de grupos de Zés Pereiras, liderados por um ou dois tocadores de gaitas de foles (e 'perseguidos' por cabeçudos e gigantones).
No entretanto, talvez por me preocupar mais com os cabeçudos e me fascinarem mais os ritmos dos bombos, ignorei quase por completo os pobres dos tocadores de gaita.
Para mim Zés Pereiras sempre foram e serão sinónimo de bombos.

Mas estas não são as minhas únicas referências.
No primeiro dia em que cheguei à Galiza, mais concretamente a Santiago de Compostela, fui brindado nas ruas com modas e muinheiras, musicas onde também predomina o som da gaita de foles. Só que aqui esta é, sonoramente, mais doce e dançante.
Sempre que lá vou ou quando falo de Santiago, não consigo imaginar aquelas ruas sem lhe associar o som quase renascentista das musicas tradicionais galegas e, obviamente, o som da gaita de foles. Mas não chega para criar essa associação.

A gaita de foles escocesa tem outras força, outro sentimento.
No último verão, cruzei-me com um tipo de evento que desconhecia: um "pipefest".
Já tinha assistido a Tatoos militares mas nunca a nada como isto. Grupos de tocadores de gaita de foles escocesa, vindos dos mais diversos pontos do globo, reúnem-se anualmente para trocar experiências e tocar em conjunto. Aparentemente o ponto alto (ou um dos pontos altos) é uma concentração de todos os grupos, seguida de um desfile pelas ruas da cidade que acolhe o evento. E foi a esse desfile que eu assisti.

Durante o tempo de espera, para ir "aquecendo", cada grupo vai tocando à vez, exibindo destreza e algumas das suas habilidades, enquanto se vão deixando orgulhosamente fotografar por "outsiders" como eu.
Chegada a hora da parada, é dada ordem de formatura  e iniciado o desfile.
Em ritmo de marcha os grupos avançam de forma ordenada, decidida e quase intimidatória, tocando todos em simultâneo a mesma sequência de melodias, previamente acordadas.

Passado o último grupo, engrossei a multidão de espectadores que, pelo meio da rua seguiu atrás dos músicos, acompanhando o desfile até ao seu ponto de chegada.
Enquanto ia com a multidão, ao som de centenas de gaitas de foles e caixas de rufo, senti-me invadir por uma estranha sensação de felicidade e alegria, gerando quase um sentimento de orgulho por integrar o desfile.
Não sei se são as melodias, se o timbre ou se outra coisa qualquer, mas de facto em nenhuma das outras ocasiões aquele som foi tão hipnotizante.

É por essa razão que, se num jogo de associação de palavras me disserem "gaita de foles", vislumbro uma colina verdejante e digo "Escócia".


Informação adicional em:
A Gaita de Foles
Pipefest-2015

domingo, 1 de novembro de 2015

Uma ponte com sabores

Ponte de Ucanha, Portugal - 2012
As barreiras naturais foram sempre lugares limitadores. Montanhas ou rios marcaram fronteiras e ajudaram na defesa de povoações e territórios.
É por isso que os vales e as pontes foram sempre pontos importantes e criadores de riqueza. Quem quisesse ou necessitasse de ultrapassar esses obstáculos tinha de passar por ali.

Assim, a posse ou controlo de tais lugares era (e por vezes ainda é) um factor de poder.

Vem toda esta conversa a propósito da ponte fortificada de Ucanha, única no género em Portugal.
Aparentemente com origem numa antiga via romana, é, na forma actual, originária do séc. XII.
Pertenceu ao então couto do Mosteiro de Salzedas e marcava o limite desse mesmo couto. Servia para a sua defesa, bem como para o controlo e cobrança da passagem sobre o rio Varosa.

Com a evolução dos tempos e a proliferação das autoestradas e vias rápidas, depressa estas pequenas obras de arte foram sendo esquecidas e, em muitos casos, deixadas ao abandono e/ou à ruína.
Felizmente nem todas tiveram esse destino.

Com um cada vez maior apelo ao litoral e às praias, muita da riqueza do interior do nosso país vai ficando esquecido. 
Apesar de nos anos 80, termos corrido boa parte do norte e do seu interior, achámos por bem revisitar alguns dos lugares por onde já andáramos, mostrando muitas das ´pequenas pérolas' que conhecíamos ás gerações mais novas, que é como quem diz, à nossa filha.
E foi assim que, nas férias de 2012, chegámos a Ucanha e à sua inesquecível ponte.

Apesar de todo o aprumo do lugar e dos seus bons acessos, é nas pequenas coisas que se verifica a diferença entre o litoral e o interior.
Chegada a hora do almoço, não encontramos nas redondezas nenhum sítio para almoçar, que, de preferência, nos possibilitasse uma refeição rápida e despretensiosa, para podermos voltar à estrada e continuar as nossas "visitas".

Confrontados com o facto de não encontrarmos nada, no meio do silêncio rural de um principio de tarde quente de Agosto, rendemo-nos a ter de ir almoçar ao único restaurante a que tínhamos visto referência, num anuncio colocado na beira da estrada de acesso a Ucanha: a Tasquinha do Matias.

Não me perguntem porquê mas, de uma forma geral, sou avesso aos restaurantes ditos "típicos", algo que, também não sei porquê, associei a este.
Mas na falta de alternativas e com a hora já adiantada, tivemos de nos render ao destino.

Estacionámos o carro e seguimos as indicações que apontavam o caminho a percorrer até à referida tasquinha.
Agradavelmente, esta ficava junto à ponte, no lado oposto ao da torre, com uma pequena esplanada sobre o rio. Mas o calor não nos convidou a ficar na rua, pelo que entrámos.

Na sala, fresca e já meia vazia, com o aspecto de final de refeição, fomos recebidos cordialmente por uma senhora que nos confirmou ser ainda possível almoçar, apesar de alguns dos pratos já terem acabado.
De qualquer forma ainda havia escolha suficiente.

A chegada da comida foi uma agradável surpresa. Pratos despretenciosos feitos com mestria e ingredientes de um sabor divinal. E não, não era resultado da fome.
O mastigar das batatas, dos legumes ou da salada fez-me recuar à minha infância, relembrando-me sabores há muito esquecidos.
Eis como uma refeição que se pretendia rápida e sem história, se transformou num momento de degustação e reencontro de sabores, "arruinando" os planos previstos para a tarde. Até porque as sobremesas também pediam que se saboreassem.

Moral da história:
Por vezes, quando procuramos beber a cultura e o passado em pedras ancestrais, somos 'obrigados' a saborear muito dessa cultura numa tasquinha "plantada" junto ás mesmas, fazendo perdurar na memória sabores também eles quase perdidos pela modernidade.

Para que conste, quando voltar à Ucanha espero voltar à Tasca do Matias. E espero não sofrer nenhuma desilusão "modernista".


Uma última nota curiosa. Ao deambularmos pela pequena povoação de Ucanha apercebemo-nos que foi aqui que nasceu Leite de Vasconcelos, arqueólogo e etnólogo tão importante na nossa história recente.


Informação adicional em:
Ucanha
Ponte e Torre de Ucanha
Património Classificado

Leite de Vasconcelos

domingo, 18 de outubro de 2015

Uma travessia quântica

Ponte Oresund rumo á Suécia - 2009
Estando de férias, qual a melhor forma de atravessar a ponte Oresund? Pelo tabuleiro rodoviário ou pelo tabuleiro ferroviário?

Mas que raio é a ponte Oresund e porque é que se coloca essa questão, perguntarão.
Confesso que até 2009 também não sabia o que era, nem fazia ideia que existia. E a questão da sua travessia só se coloca porque necessitei de o fazer.

No nosso caso atravessamos... pelos dois tabuleiros, na mesma viagem.
Esse facto fê-la tornar-se parte das minhas pequenas histórias de férias.

Mas vamos por partes.
Copenhaga (Dinamarca) e Malmo (Suécia) são duas cidades vizinhas, separadas pelo estreito de Oresund.
Até ao ano 2000 estavam ligadas apenas por barco. Nesse ano a ponte foi inaugurada, ligando as duas cidades por "terra".

Na realidade a travessia faz-se através da ponte e de um túnel. A ponte liga a Dinamarca à ilha artificial de Peberholm, numa extensão de quase oito quilómetros (7.854 m), lugar onde, quer o comboio quer a estrada "mergulham" num túnel de perto de 4 Km, último percurso para atravessar o referido estreito e chegar à Suécia.

Ora, estando nós em Copenhaga, com a Suécia mesmo ali ao lado, seria pena não aproveitar o facto e ir até lá, mais não fosse para almoçar e ver as vistas.
Foi aí que se nos colocou a questão de "como atravessar a ponte".
Apesar dos guias dizerem que a travessia "por cima", pela estrada, é a mais bonita, a viagem de comboio é a mais prática, por ter mais horários, quer de ida quer de vinda, para além de ser mais barata.

Tomada a opção do comboio e tomado o pequeno almoço demos início à nossa viagem à Suécia.
Na estação, que ficava perto do hotel, compramos os bilhetes e embarcámos no comboio.
Atravessámos a ponte, mergulhamos no túnel e, passados poucos minutos depois de termos emergido na Suécia, parámos no meio do nada.
Como não se vislumbrava qualquer estação ou cidade e os restantes passageiros continuavam sentados, presumimos que ainda não tínhamos chegado ao nosso destino.

Após esperarmos alguns minutos, ouvimos pela instalação sonora do comboio o maquinista (presumo) dizer qualquer coisa numa língua estranha, repetido-a noutra língua, igualmente estranha.
Dito isso (o que quer que tenha sido), o comboio recomeçou a andar em marcha moderada. Só que em sentido inverso, ou seja, voltando para a Dinamarca.

Como os restantes passageiros continuavam "calmos", presumimos que seria algo natural.
No entanto, assim que vislumbramos o revisor, a Manela foi-lhe perguntar o que é que se estava a passar.
De acordo com o relato do mesmo, alguém tinha sido atropelado pelo comboio anterior, estando a linha interrompida. Sendo assim, regressávamos a Copenhaga onde seria feito o transbordo para autocarros, para que a viagem pudesse chegar ao seu destino.

E assim foi. Voltámos a atravessar o túnel e depois a ponte e regressamos ao ponto de partida.
Saímos do comboio, encaminharam-nos para uma zona lateral da estação onde aguardamos pela chegada dos referidos autocarros.
Uns vinte minutos depois reiniciámos a nossa viagem. Atravessámos a ponte, agora pelo tabuleiro rodoviário (de facto com uma vista mais interessante e desocupada), reentramos no túnel e emergimos de novo na Suécia.
Desta vez de forma definitiva.

Nesta fase da história, não sei porquê, lembro-me sempre do "Mandarim", de Eça de Queirós.
Graças ao infortúnio de um desconhecido, podemos fazer a travessia da ponte pelos dois tabuleiros, na mesma viagem.
Com a vantagem de que não fiquei com o peso na consciência de me sentir responsável pela desgraça de alguém.


Informação adicional em:
Welcome to the Øresund Bridge
Øresund Bridge na Wikipedia


domingo, 11 de outubro de 2015

Bigger on the inside...


Police Phone Box, Earls Court, Londres - Agosto 2014
Quem passar em Earls Court depara-se, mesmo à saída da estação do metro, com uma cabine telefónica azul.
Nada de especial, não fosse ser objecto constante de fotografias tiradas, a maior parte das vezes, por jovens turistas que arrastam atrás de si a clássica mala de rodinhas, companhia de quem anda a viajar.
Não passa aparentemente de uma cabine telefónica da policia, igual a outras, outrora muito comuns na cidade de Londres, a partir das quais se podia fazer uma chamada de emergência direta à polícia, que podia localizar e socorrer rapidamente quem estivesse em situação difícil.

Mas é aí que está o engano dos incautos que por ela passam, ignorando a verdadeira natureza da cabine.
Não, não se trata de uma vulgar Police Box, mas sim de uma TARDIS, uma "Time And Relative Dimension In Space" time machine, uma máquina consciente que permite ao seu utilizador viajar no tempo e no espaço, dotada de um "circuito camaleão" que lhe permite adotar a aparência de um qualquer objeto comum no local e tempo de chegada. Maior por dentro do que o seu aspeto nos deixa adivinhar.
O sonho de qualquer viajante...

Está ali desde sempre, atraindo viajantes de todo o mundo que conhecem o segredo que ali se esconde e a rondam procurando ter um vislumbre do seu dono, conhecido apenas por Doctor.Who? perguntam os menos informados. Sim, esse mesmo: o viajante do tempo e do espaço que se apaixonou pela Terra e a escolheu, de todo o Universo, como planeta de adoção, depois de ter visto o seu próprio planeta destruído por uma guerra sem fim nem solução. Ninguém sabe o seu verdadeiro nome, mas quem precisa de ajuda não precisa de o chamar. A TARDIS sabe onde o deve levar.

Figura mítica da BBC, Doctor Who, o Doctor, como é conhecido, é a série televisiva com mais longa emissão conhecida, tendo iniciado emissão em 1963 e celebrado 50 anos de vida em 2013. Tornou-se ao longo dos anos uma série de culto que acompanhou o crescimento de pais e filhos, muitas vezes cúmplices na devoção pela série.

Num período em que a guerra fria e muitas guerras quentes se travavam no planeta, Doctor Who trouxe para o ecrã televisivo a recusa da guerra como solução, a linguagem do diálogo necessário e possível entre inimigos, a consciência de que a a violência apenas conduz à destruição do planeta e dos seres que o habitam. Falava de paz e compaixão, de perdão e memória. A violenta simplicidade das histórias conseguiu uma multidão de seguidores fiéis e tornou-se parte integrante da cultura popular britânica.
O culto renasceu em 2005 quando a BBC relançou a série que ganhou uma nova onda de seguidores, muitos deles filhos de antigos seguidores. São esta nova geração que vai a Earls Court prestar o seu tributo ao Doctor.

As Police Box azuis, comuns em Londres nos anos sessenta, foram progressivamente desmontadas durante os anos setenta e oitenta, mas esta foi ali levantada em 1996. Deveria ser apenas uma cabine como as outras, mas para os milhões de adeptos do Doctor Who ela é a TARDIS, um local de visita obrigatória.

Também nós por lá passámos e tirámos a inevitável fotografia, rondando a porta, na esperança de que alguém a abrisse e pudéssemos fianlmente saber quem era o verdadeiro Doctor.
Não tivemos essa sorte. Mas, para todos os efeitos, sabemos onde o podemos procurar.

É que nos tempos que correm nunca se sabe quando precisamos de ajuda...


Police Box
BBC - Doctor Who Site Oficial
TARDIS
Doctor Who
Somerton TARDIS


domingo, 4 de outubro de 2015

A Donzela de Orléans

Chinon, França - 2002
Quando chegámos a Chinon fomos surpreendidos por esta espectacular escultura.
A surpresa foi ainda maior quando nos apercebemos de que a personagem nela representada era Joana d'Arc.

Joana d'Arc é talvez uma das personagens mais comuns na estatuária francesa. Quem viaja por França facilmente "esbarra" numa imagem sua, seja numa grande cidade, seja numa humilde vila.
Se procurarmos num jardim, numa praça ou numa igreja, em algum deles a vamos encontrar.
Paris tem uma (pelo menos), equestre e dourada, junto ao Louvre, na place des Pyramides (aliás alvo de uma jocosa referência, nas aventuras de Adéle Blanc-Sec, de Tardi).

Curiosamente, este constante cruzar de caminhos com imagens de Joana d'Arc, nunca me tinha levado a procurar saber mais sobre ela. Até agora.
Face a tão poderosa visão colocou-se-me a questão: afinal quem é esta "donzela"?

Entre o que eu já sabia e o que entretanto descobri, de uma forma muito resumida e livre, aqui fica a sua história:
Filha de agricultores, nasceu em Janeiro de 1412, em Domrémy (mais tarde Domrémy-la-Pucelle) na Lorena.
Aos 13 anos começa a ouvir vozes que a incitam a frequentar a igreja e a tornam numa devota fervorosa. Aos 16, em plena Guerra dos Cem Anos, as referidas vozes dizem-lhe para ir ao encontro de Carlos VII, que se encontrava aqui, em Chinon, para libertar Orléans. E assim fez.
Desse encontro saiu a comandar um exército de 4.000 homens, rumo a Orléans, cidade que conquistou, dando início a um ciclo de muitas vitórias militares.
Quis então o destino que a guerra abandonasse o plano militar para se centrar mais no plano politico e diplomático.
Ao continuar a dar ouvidos às vozes que a atormentavam, tornou-se numa personagem incómoda para o rei.
Para sorte dos franceses e azar seu, foi capturada pelos opositores do rei e entregue aos ingleses. Estes rapidamente a acusam de bruxaria e mandam-na queimar, pondo assim fim à sua aventura.

Em 1920, após ter sido reabilitada, foi canonizada pelo Papa Bento XV, e em 1922 foi declarada padroeira de França, dando origem à proliferação das estátuas.

Na iconografia mais comum, ou aparece amarrada a um poste, a ser devorada pelas chamas, ou segurando uma espada e/ou um estandarte, ora a pé, ora a cavalo, mas sempre numa atitude entre o sonhador, o piedoso, ou o sofredor.
Uma ou outra imagem podem ser curiosas mas, na sua grande maioria, não passam de mais uma versão do "já visto".
Mas nada como aqui.

Esta escultura, feita em 1893 por Jules Roulleau, transmite determinação, força e movimento. Claro que o mérito é do artista, não da personagem.

À personagem, quanto muito, perdura o azar. A espaçosa praça onde a estátua foi colocada é hoje um parque de estacionamento.
Resta-lhe talvez continuar a sua cruzada, já não contra os ingleses mas agora contra o excesso de automóveis que a cerca.


Informação adicional em:
Joana d'Arc na Wikipédia
Chinon

domingo, 27 de setembro de 2015

O monte do Anjo


Mont Saint-Michel, França - 2002
Primeiro vê-se ao longe como um castelo de conto de fadas perdido na bruma. Depois vai-se avolumando no horizonte, no corpo de uma ilha que flutua no espaço. É preciso chegar muito perto para lhe perceber os contornos e os pormenores das casas e das ruas coroadas por uma abadia desenhada por um mestre do irreal e do fantástico.
Foi com esta visão que chegamos a Saint-Michel. Destino de sonho, ele próprio um sonho.

Chega-se a Saint-Michel de várias maneiras: pelas imagens nas revistas e nos folhetos turísticos, pela palavra de quem lá esteve e pelos livros sobre imaginário e esoterismo. E pela banda desenhada. O nosso percurso tinha sido ditado pelos livros e pela banda desenhada. Quando isto acontece, a maior parte das vezes acaba por trazer alguma decepção mas, neste caso, o que trouxe foi a percepção de que a realidade era bem maior que a ficção.


Chegamos bem cedo e conseguimos arrumar o carro mesmo na entrada da ilha. A baía estava seca até perder de vista e o monte erguia-se como um desenho saído das páginas de um livro.

A memória da visita à abadia e da íngreme subida até lá, perderam-se na bruma da visão que tivemos do alto, suspensos em silêncio, algures entre o céu e a areia.

Percebemos na descida a sorte que tínhamos tido ao chegar tão cedo. 
As ruas apinhadas de turistas que se acotovelavam e os parques de estacionamento repletos de carros que brilhavam ao sol retiravam ao lugar toda a magia. 
Entramos num pequeno restaurante onde comemos uns excelentes mexilhões e uma ainda mais excelente tarte Tatin. Depois arrancamos estrada fora. 

Paramos uns quilómetros mais à frente para rever a silhueta majestosa do monte. 

E dali de longe pudemos mais uma vez imaginá-lo apenas habitado pelo silêncio e pelos anjos.


O Mont Saint-Michel - video
Le Mont Saint-Michel
O Mont Saint-Michel na Wikipedia

domingo, 20 de setembro de 2015

The Fringe

                                                             Edinburgh Fringe, The Royal Mile, agosto 2015

Não há como acompanhar nem como ignorar.
As ruas enchem-se progressivamente de uma multidão de atores e espectadores. As mãos dos atores estendem-se na avidez de entregar os pequenos cartões do tamanho de um postal que podem significar sala cheia. Se nós, os possíveis espectadores, abrandamos o passo, somos rapidamente industriados sobre o que se vai passar na sala em questão. Teatralmente. Parece um jogo em que todos procuramos adiantar-nos ao adversário. E em que todos nos divertimos, qualquer que seja o resultado.
É o Fringe, o "antagonista-complemento" do Festival Internacional de Edimburgo. 
Nas ruas da cidade jogam-se por vezes os destinos de muitos atores, num país onde o teatro é por tradição "ensinado" desde a primária, e treinado duramente, por entre competição feroz e em larga escala, por quem quer fazer carreira. As ruas de Edimburgo são o palco daqueles que não conseguem aceder a uma das pequenas salas onde se desenrolam mais de dois mil espetáculos durante o mês de agosto. Por essas salas passaram muitos dos atores, músicos e cantores que hoje aplaudimos.

Se a vida é uma festa, Edimburgo é o salão onde decorre. 
A atmosfera inebria e, quando o Fringe abre oficialmente portas, a música que enche as ruas, a que escorre do Tattoo no castelo, o fogo de artifício que estoura num céu nublado, são o motivo perfeito para todos os risos e todos os pints que se bebem dentro e fora dos pubs.
Que interessa se chove? Ninguém nota!...

Ao mesmo tempo decorre o Festival de Arte e na segunda metade de Agosto sobrepõe-se-lhe o Festival do Livro. Depois vem o Storytelling Festival. Depois vem a feira de Natal. Depois o Hogmanay. E a Burns' Night. Depois o Beltane. A seguir o Film Festival. E o Festival de Ciência. Depois o Festival de Jazz e Blues. Depois um qualquer pretexto para outro festival. 
E, claro, logo de seguida, em agosto, o Fringe e o Festival outra vez.
Deve ser muito cansativo viver numa cidade que está sempre festa. 

Ora venha mais um pint!


domingo, 6 de setembro de 2015

Sarcasm?

Pubs - placards de exterior,  Edinburgh, 2015

Quanto mais vou até terras britânicas mais fascinada fico pelas qualidades que aquele povo tem. E não, não falo do teatro ou da literatura. 
Eu sei que o João Magueijo, com um saber de experiência feito, escreveu demoradamente e por motivos profundos, sobre os horrores da Grã Bretanha e as agruras que por ali passou, mas eu só encontro motivos de delícia e satisfação. 

Vamos lá a ver, a história daquele povo tem lados negros que não foram ainda totalmente trazidos à luz; aquilo que vemos nem sempre é aquilo que lá está; a corrupção e o deboche também lá existem, e as sombras de grey são bem mais que cinquenta. Também sei que o clima da ilha é bastante "cinzento", que a cozinha britânica não tem o fulgor da francesa e que a comida rápida é tão má como outra qualquer. É comida rápida. Para compensar há o Jamie Oliver, que é inglês, e o Gordon Ramsay, que é escocês. Segundo parece até cozinham bem e o primeiro dedicou um livro inteirinho à cozinha tradicional das ilhas britânicas. 

Mas temos de reconhecer que em termos de espírito prático e de "contra-politicamente-correto" ninguém lhes leva a palma.
Certas afirmações, certos conceitos, que, entre nós, gerariam uma corrente de protestos indignados, são em "terras de sua majestade" prova de um olhar sarcástico sobre a sociedade que nos deixa um pouco algures, na terra de ninguém entre o sorriso amarelo de quem tem medo de ser cúmplice de um pensamento pouco correto e a gargalhada funda do "era mesmo isto que apetecia fazer".

O pior é que não só pensam coisas "pouco próprias", como as publicitam em cartazes no meio da rua.
Gostava de ver o que acontecia por cá se os restaurantes do bairro fizessem as propostas feitas por dois respeitáveis pubs, imbuídos desse espírito prático, no centro de Edimburgo.
O mais grave é que muitos/muitas de nós pensam, ou já pensaram, em certas alturas, em soluções semelhantes (ou piores...) a essas.
Mas ninguém tem coragem de o confessar.
Não vá alguém pensar que podemos passar à prática.


The White Hart Inn, Edinburgh
The Newsroom, Edinburgh

domingo, 30 de agosto de 2015

Speedy's - Sandwich Bar & Cafe

Speedy's, Londres - 2014
Perdoem-me os que não são apreciadores ou conhecedores da série televisiva da BBC "Sherlock" mas ter estado no Speedy's e não referir o lugar seria um crime.

Para quem não está familiarizado com a série poderei dizer que esta é uma fabulosa adaptação das obras originais de Conan Doyle, transpostas para os nossos tempos.
Sherlock é um génio convencido e mimado, Watson um traumatizado veterano do Afeganistão e Moriarty um génio demente. Todas as interpretações são excelentes, suportadas por um script muito bem elaborado e uma realização desconcertante.
Apesar de terem sido realizados apenas dez episódios, três por temporada e um especial de Natal, foram os suficientes para criar um grupo desmesurado de fãs e uma venda invejável de memorabilia.

Curiosamente, quando pela primeira vez vi na televisão o anuncio à série, a figura de Sherlock pareceu-me excessiva. Um detective super convencido, pedante e que insultava toda a gente que o rodeava. Não me atraiu e, como tal, não vi nenhum dos episódios da série.
Quis o destino que, numa noite de pasmaceira em que não havia nada de interesse na televisão, o zapping me fizesse cruzar com um dos episódios da série, já a meio. 
Como não havia mais nada para ver, perguntei-me a mim mesmo " e porque não ver o que isto é?"
E foi a minha desgraça. No final do episódio estava rendido.

Mas o que é que tudo isto tem que ver com o Speedy's?
Na série, as filmagens da casa de Sherlock não se realizaram em Baker Street, rua muito movimentada, mas sim na pacata North Gower Street. Junto ao Speedy's.

Apesar do Speedy's já existir antes da série televisiva, foi com ela que ganhou notoriedade, passando de um desconhecido café de bairro ao local de romaria e culto dos fãs da série.

E foi assim que, numa calma manhã de Agosto, perto das 10 da manhã, emergimos da estação de metro de Euston, à procura do dito cujo café. De mapa na mão, lá fomos entrando no sossegado bairro. 
Ao fim de alguns metros, ao virar de uma esquina, ali estava ele. Um café de bairro, pacato, com duas mesas na esplanada, na altura ocupadas por alguns operários que faziam a sua pausa, para beber um café.

Contemplamos o exterior e decidimos, num acto corajoso, entrar e beber também nós um café (corajoso porque, de uma forma geral, o café em Londres é mau).
Ao abrirmos a porta apercebemo-nos da pequenez do lugar. Nas paredes fotografias das filmagens, numa decoração sóbria e despretenciosa, confirmavam a sua ligação à série.
O café estava sossegado mas cheio. Maioritariamente de fãs, uma vez que apenas duas ou três pessoas tinham ar de serem habitantes do bairro, Os restantes clientes destoavam completamente.

Face à lotação esgotada da sala, quando uma simpática empregada nos perguntou o que desejávamos, pedimos três "moka" para levar (o chocolate ameniza o gosto)
Já cá fora, sentados num muro junto ao café, a bebericar as nossas bebidas, fomo-nos apercebendo da silenciosa romaria que ia decorrendo na rua.

Tal como nós, notórios fãs, sós ou em grupo, de mala de viagem a rasto ou mochila às costas, iam cumprindo o mesmo ritual (não necessariamente por esta ordem): uma 'inspeção' ao lugar, uma fotografia ao café, uma fotografia frente ao café ou sentados na esplanada, uma volta pelas redondezas, uma espreitadela ao interior... enfim, tudo aquilo que um fã faz quando se encontra num lugar que, reconhecidamente, pertence ao universo da sua devoção.
Curiosamente sempre num 'registo' discreto, respeitoso, diria mesmo religioso, de quem não quer interromper nada mas apenas "viver" o lugar.

Esgotada a bebida e saboreado o lugar, seguimos o nosso caminho de regresso ao metro. Não sem antes notar uma pequena curiosidade: a casa que seria a morada de Sherlock na série, estava à venda.
Decididamente Holmes já não morava ali.


Informação adicional em:
Speedy's Cafe
Sherlockology - Speedy's cafe

Sherlock na Wikipedia
I Believe in Sherlock Holmes

domingo, 26 de julho de 2015

221 B

Baker Street, Londres - 2014
Baker Street. Em 1985, no primeiro ano que fomos a Londres, esta teria de ser uma das paragens obrigatórias.

A avidez de vermos o mais possível, no pouco tempo que tínhamos, obrigou-nos a fazer escolhas. Alguns museus ficaram de fora e noutros apenas visitamos uma ou outra sala. O mesmo aconteceu com ruas ou bairros. Se uns ficaram de fora do nosso roteiro, outros houve que apenas vimos de dentro de um autocarro.

Mas Baker Street era um destino obrigatório.
Sir Arthur Conan Doyle tornou-a uma das ruas mais populares de Londres ao situar ali a morada daquele que é, talvez, o mais famoso detective: Sherlock Holmes.

O passe de Londres levou-nos de metro até à estação de Baker Street, fazendo-nos sair directamente na rua do mesmo nome.
A rua, com passeios folgados e prédios de três andares, tinha bastante transito. De cabeça no ar, fomos seguindo a sequência dos números das portas até finalmente chegarmos ao tão desejado 221B.

A desilusão não poderia ser maior. Um prédio de habitação semelhante aos demais e nenhuma referência à celebridade da porta.
A imagem que me vem hoje à ideia, é de eu estar no passeio de uma rua com muito trânsito automóvel, a olhar para uma porta e eventualmente a pensar: "Pronto. É isto."

Felizmente nesse mesmo ano, numa das nossas voltas ao acaso, deparamo-nos, junto a Charing Cross, com o Sherlock Holmes... o Pub. Ali sim, havia uma sala, um pequeno museu, evocativo da personagem.

A recente realização de alguns (bons) filmes (nomeadamente o realizado por Guy Ritchie em 2009) e séries de televisão (entre boas - Sherlock da BBC - e menos boas - Elementary da CBS), reavivou a popularidade e a memória do detective.

Assim, quando no ano passado saímos do metro na estação de Baker Street, para mostrar a célebre morada à nossa filha, nada me preparava para o que nos esperava.
Ao contrário da primeira visita, não foi preciso procurara o número 221B.
Do outro lado da rua, ao longo do passeio formava-se uma longa fila de pessoas, sobretudo jovens, que aguardavam a entrada e visita, paga, da conhecida morada.
Na porta ao lado, no 221, entra-se agora para a loja de souvenirs, onde é possível comprar toda a memorabilia do detective.

Embora esta fosse uma visão próxima do que esperava encontrar na minha primeira visita, reconheço hoje que não sei qual das duas foi a mais desiludente.

Felizmente o Sherlock Holmes, o Pub, continuava igual a si mesmo, permitindo acabar o dia curando as 'mágoas' frente a um pint de boa cerveja.


Informação adicional em:
Sherlock Holmes
Sherlock Holmes na Wikipedia
Sherlock Holmes, o pub